E-mail em desapoio ao Dep. Jean Ui-ui-ui

O texto abaixo foi enviado por mim ao deputado Jean Ui-ui-ui após ele ter xingado o Sr. José Antônio Taschetto Mota, Delegado de Polícia Regional da 20ª DPRI, Cachoeira do Sul, RS.

Para ver a interação pública entre o deputado e o delegado acesse https://goo.gl/CEzqfI

Agora segue a minha pequena contribuição à sociedade brasileira:

“Excelentíssimo Senhor Deputado Jean Ui-ui-ui,

resolvi hoje dar-me ao luxo de reservar algum tempo para dirigir-me, através da vossa página na internet, à Vossa Excelência (ou seria Vossa Onipotência?) com o propósito de deixar-lhe um comentário a vossa altura, que além de deputado, se diz professor.

Sou nordestino tal como V. Exª. Diferente de V. Exª, sou paraibano, campinense. Por fim, sou brasileiro, se não mais, igual à Vossa Excelência.

Desde que tomei conhecimento da vossa existência, ainda quando participavas do programa global BBB, já não simpatizava, sobretudo, porque se deverias representar-me enquanto nordestino, eu não conseguia me identificar nem por um fio de cabelo, quiçá, por vossa postura. Só por isso. Depois, quando pleiteaste vaga na política, indaguei-me: vencerias? Venceste. De algum modo, mais uma vez não me representando, mas… venceste.

Desde então só porcarias, sendo a última delas, pelo menos das que obtive ciência, o teu pronunciamento ao delegado gaúcho alcunhando-o de burro.

O Excelentíssimo Senhor Deputado Jean Ui-ui-ui não permitiu que a humildade e o reconhecimento a outrém superasse o sentimento mesquinho do egoísmo e da arrogância. Reconhecer que o delegado cumpriu, pelo menos dentro do que as suas atribuições o permitia, o seu papel, apreendendo os agentes do violento crime, menores de idade, não foi a atitude priorizada pelo deputado, que em detrimento disto, preferiu criticá-lo e xingá-lo de burro, assim, “da mão para a boca”, sem maiores expectativas de qualquer consequência.

Um pouco confortável foi perceber que mesmo entre os vossos seguidores nas redes sociais, a sua atitude foi majoritariamente reprovada.

Curioso foi perceber que entre os poucos que o apoiaram, havia uma pessoa trans que corroborara a vossa verborragia, afirmando que o delegado fora preconceituoso e desrespeitoso ao referir-se à vítima pelo nome de registro em detrimento do nome social adotado por esta. Mas veja que interessante: para esta sua fã apoiadora, desrespeitoso é referir-se a uma pessoa trans pelo próprio nome de registro, no entanto, chamar de “viado” pode porque isto não é desrespeitoso. É assim que V. Exª. enxerga as coisas também? Porque o que mais se vê atualmente são gays e pessoas trans elogiando uns aos outros pelo vocábulo “viado”.
Como alguém xinga um competente delegado de burro por alegar que este delegado se referiu de maneira desrespeitosa a uma vítima de um crime violento pelo nome de registro e ao mesmo tempo, esta mesma pessoa, se sente elogiada ao ser chamada de viado nas redes sociais? Dois pesos e duas medidas? Palhaçada? Falta do que fazer? Canalhice?

Além disso, ao delegado ter a nobre iniciativa de dirigir-se educada e ponderadamente ao deputado para tratar do assunto, o representante legislativo foi ainda mais asqueroso, mostrando-se um ególatra crônico e degenerativo, inclusive, da sociedade brasileira.

Direi-lhe que trata-se apenas de reprovação: eu reprovo a sua agenda política, reprovo a sua postura de posar de vítima para conquistar regalias e ser arrogante, reprovo a sua falta de bom senso ou que fosse minimamente razoável. Se deseja ser respeitado, dê-se ao respeito em princípio. Se não sabe, dar-se ao respeito não significa ser arrogante, mas ao contrário disso, significa portar-se de forma respeitosa e digna.

Definitivamente, não por sua opção sexual em que V. Exª. costuma pôr a culpa, mas por outras razões sérias, V. Exª. é apenas mais um, parte dos problemas e não da solução desse país.”

E o Lula é o quê?

Quer-se fazer do Lula um mito, um santo, um herói. Esquece-se que na vida real não existem mitos, não existem esses tipos de santos. O mais próximo que existe de um herói no Brasil é aquele ou aquela que trabalha, que muitas vezes precisa fazer alguns ou muitos sacrifícios diários para obter o próprio sustento e o da sua prole. Você deve conhecer pessoas desse tipo que estou mencionando, não são tão raras (seus pais? Você mesmo, talvez?!).

Já o Lula com todo seu carisma e inclinação para saber lidar com as pessoas mais necessitadas, seu cinismo, seu potencial de líder desenvolvido nos tempos de sindicalista aclamado por uma grande quantidade de trabalhadores, em sua maior parte, sem grande nível de instrução, caiu nas graças do povo brasileiro (ajudado por marqueteiros, não esqueçamos), o que culminou na sua eleição em 2002 (uma esperança de mudança?). Mas o povo brasileiro sente uma necessidade de ter seus próprios heróis custe o que custar… será por causa do nosso “complexo de vira-lata” definido pelo Nelson Rodrigues lá nos anos 50 ou apenas um recalque por não termos criado o Batman ou o Super-Homem?

Mas lhe digo, a culpa é bem menos da audácia e da insensatez do Lula, pois é muito mais dos incompetentes que o tinham por oponente – inclusive os da então situação – por tão frágeis e incapacitados de convencer e suprir as carências desse mesmo povo. É culpa ainda da opinião desenvolvida com base no gramscismo que vira há alguns anos transformando a mentalidade dos brasileiros desde as primeiras lições na escola, como algo por assim dizer, quase imperceptível (mas isso aí já é assunto para os especialistas, de preferência os bons). O Lula apenas deitou em uma cama que já vinha sendo preparada, já estava pronta. Deitou e rolou. Aproveitou o seu momento, a fraqueza e vulnerabilidade do oponente. O desejo de mudança que nós, carentes, ansiávamos. Um pequeno mérito e ponto. Mas daí virar herói da nação?

Nada disso! Foi apenas mais um Presidente do nosso lindo, mas carente país e, portanto, enquanto nessa condição tinha a obrigação de representar e conduzir bem o Brasil para um futuro melhor. Um Presidente de uma nação é, sobretudo, alguém que foi eleito pelo povo para exercer o cargo de chefe do executivo, portanto, um administrador. Amplamente disseminadas, as funções básicas de um administrador são: planejar, organizar, dirigir e controlar. Por esse ângulo, pode-se dizer que o governo Lula fracassou em todas estas funções. Atitudes mal planejadas e tomadas em seu governo foram plantadas e estão sendo colhidas nos últimos anos e agora chegando à pior fase: uma grave recessão. Sim, pois a recessão em que mergulhamos é resultado do mal planejamento, da opção do uso do nosso dinheiro em iniciativas enviesadas em detrimento de iniciativas inteligentes, fundadas em seu governo e continuadas no governo de sua sucessora (e não mera crise política criada pela oposição como dizem). A verdade é que em seu governo, nosso país perdeu uma grande oportunidade.

Quem comete atos ilícitos, deve ser julgado e punido. Essa expressão deve servir para todos. Se esse ex-Presidente roubou, talvez descubramos em breve. Se o fez, que seja devidamente punido. E reitero o que deve ser o desejo de pelo menos uma parte do povo brasileiro: qualquer um, antes ou depois do Lula, que tenha agido ilicitamente, que seja julgado e punido à proporção dos seus atos. Qual motivo eu teria para desejar privilégios a este ou aquele?

Em breve alusão ao que vivenciamos, observe:

Cena 1 (sobre a viabilidade econômica): um senhor trabalhou durante anos para construir algum patrimônio e o fez ao empreender como dono de mercadinho de bairro. Ao aposentar-se, resolveu passar as suas atribuições ao filho único. O filho que havia sido rebelde com os pais na adolescência, excêntrico, resolve ser carismático e fazer doações de alimentos às pessoas pobres da comunidade. Ele doa então todo o seu estoque, mesmo aqueles produtos que não haviam sido pagos ainda ao fornecedor. O povo faminto receptor dessa grande caridade fica vislumbrado com a atitude humana daquele bom rapaz. Passado algum tempo, os fornecedores começam a cobrar as duplicatas que o rapaz carismático esquecera de pagar.

Cena 2 (prova da inviabilidade econômica / resultado): o rapaz carismático agora cheio de seguidores, fãs e dívidas não tem como pagar e também não terá como manter a assistência àquelas famílias recém beneficiadas. Teria falhado nas funções básicas de um bom administrador (planejar, organizar, dirigir e controlar). E agora? Como dar continuidade em ajudar essas pessoas? Como sustentar uma utopia? Não seria mais possível. Ilusão!

Cena 3 (prova da inviabilidade social): fim da ilusão, as pessoas que se acostumaram a receber a ajuda estavam agora sem ter o que comer, com esperança de aquele jovem resolver os problemas deles como o fizera algum tempo atrás e, acomodados, não mais investindo o seu tempo em buscar melhorias para a própria vida. Eles clamam que o rapaz retorne para ajudá-los, mas já não há mais como. O rapaz é apenas um incapaz e, sob pressão, mostra a sua verdadeira face da rebeldia.

Mas o Lula… o Lula é só efeito. O que preocupa mesmo é a nossa alienação enquanto povo constituinte do poder maior da nossa nação. Esse é o pior veneno, a verdadeira causa raiz. Apesar de não termos praticado exatamente um ato ilícito em colocar o PT no poder (será?), já fomos julgados e agora estamos sendo punidos: essa é a justiça divina.

Road trip de carnaval pelo MERCOSUL

Saudações a todos e aqui vamos nós com mais um post que seria o sumo de mais uma experiência que tive recentemente viajando por esse mundão (de carro).

Dessa vez fui na companhia da minha noiva Alane Ramos que mais uma vez se mostrou uma excelente companheira de viagem. Obrigado por tudo amor =)

Percorremos exatamente 5.740km em um período de 9 dias (entre 05/fev e 14/fev), partindo do aeroporto de Guarulhos/SP até Curitiba/PR. Depois seguimos pela BR-101 em direção à região de Florianópolis/SC e entramos pela Serra Catarinense através de uma rodovia federal BR-282 para acessar a cidade de Urubici/SC e na sequência Canela/RS. O destino seguinte foi Punta del Este/Uruguai, depois Montevidéu/Uruguai, Buenos Aires/Argentina, São Borja/RS, Foz do Iguaçú/PR e finalmente, São Paulo/SP já no dia 14/fev.

Roteiro_5-mil-Km5

Em pormenores, devo detalhar toda essa experiência com o propósito de registrá-la para a posteridade bem como para ajudar possíveis aventureiros que se interessem por empreender este trajeto. Procurarei, inclusive, detalhar informações que tivemos dificuldades de encontrar ou não encontramos quando estávamos na fase de planejamento da trip.

Curitiba/PR: onde pernoitamos (observe que 05/fev era o primeiro dia de carnaval oficial, ou seja, dia em que muitos paulistanos deixam a capital para curtir a festa em outros lugares e por essa razão sair de São Paulo de carro pode se tornar um pesadelo e quando se trata da horripilante Serra do Cafezal na Rod. Régis Bittencourt/Sul, aí a coisa muda de nível: em feriados, pessoas chegam a passar horas e horas paradas nesse trecho da rodovia que está em obra de duplicação há alguns anos). Por sorte, o meu medo ficou pra trás quando nos aproximávamos da serra e lá já haviam letreiros informando que o trânsito estava “normal” (na verdade, esse normal significa que há congestionamento sim, mas é o mesmo de todos os dias onde se leva 30 minutos para percorrer 12km). Pouco tempo depois que vencemos a serra, iniciou-se lá um engarrafamento gigantesco (escapamos uff). Chegamos em Curitiba por volta das 17h00 e fomos dar uma volta no Jardim Botânico que é mandatório =)

Nossa parada em Curitiba foi estratégica, apenas para tentar adiantar a Serra do Cafezal e fazer uma aproximação da Serra Gaúcha onde dormiríamos no dia seguinte. Desse modo, optamos por pousar no Ibis.

No dia seguinte iniciamos a nossa viagem às 8h, no entanto, o primeiro imprevisto ocorrera: a luz do painél indicava baixo nível do óleo do motor. Irresponsabilidade minha? Explico: havia feito uma manutenção completa do meu carro apenas 2 meses antes, sendo que o carro ainda ficou um mês parado quando viajei para o nordeste para as festas de fim de ano. O problema é que fiz a substituição do jogo de correias do motor e do retentor e exatamente esse tal novo retentor apresentou problema fazendo com que o óleo vazasse quando o motor está em funcionamento. Saimos do hotel direto para um posto para abastecer e verificar o óleo: pegou 2,5 litros (absurdo). Seguimos viagem pela BR-101 em direção à região de Floripa, mas com alguns quilômetros rodados percebemos fumaça partindo do motor. Parei e verifiquei que havia óleo vazando e sujando o motor. Seguimos até uma oficina com medo de precisar interromper a viagem, mas ficamos felizes quando o mecânico nos informou que o problema era pequeno e que precisaríamos apenas monitorar o nível do óleo ao longo da viagem e sempre completar para manter o nível adequado. Nesse passo, a viagem toda consumiu 12 litros de óleo.

Urubici/SC: esse dia (sábado de carnaval) pegamos muito trânsito até conseguir passar da região de Floripa. Quando conseguimos alcançar Urubici/SC na Serra Catarinense já marcava 18h00 no relógio, ou seja, entre problemas no carro, ida ao mecânico, trânsito de carnaval e (óbvio) algumas paradinhas para tirar fotos, levamos 10 horas para percorrer 450km. Sem contar que essa região da Serra Catarinense fizemos pela BR-282 e pegamos muuuuita cerração, depois chuva, além das sinuosas curvas daquela serra que chega a quase 2000 metros de altitude e é considerada o ponto mais alto habitado do Brasil (I’ve googled it rsrs).

Mas um caminho muuuito bonito, paisagens realmente marcantes (claro que nem todo o percurso era de cerração).

Canela+Gramado/RS (Serra Gaúcha): seguimos de Urubici até Canela/RS onde ficaríamos por duas noites. Nesse caso seguimos por Lages/SC (jantamos no novo Shopping Lages e recomendamos), depois Vacaria/RS até passar por Caxias do Sul/RS e chegar em Canela às 3h00 da madrugada. É uma lástima que tenhamos feito esse trajeto já de noite e não conseguimos ver a beleza que é devido à escuridão. Ficamos hospedados na casa super elegante e aconchegante de um casal gaúcho (a Natália e o Juliano) que encontramos no Airbnb.com (quem ainda não conhece o serviço, trate de conhecer =)).

E mais…

Partimos de Canela às 6h00 em direção à Punta del Este seguindo por Porto Alegre -> Pelotas -> Rio Grande -> Chuí. Quando seguimos pela BR-471 rumo à fronteira do Brasil com o Uruguai percebemos ficar gradativamente com ares de um ambiente remoto, com fazendas e várias instalações/silos para armazenagem de arroz. A parte boa é que a estrada é bem regular, sem curvas sinuosas e sem grandes subidas/descidas. A parte não tão boa é que é tudo pista simples (isto é, não tem duplicação). Percebemos que a oferta de opções para comer já é bem escassa e acabamos por almoçar na região da Praia da Capilha em um pequeno restaurante de posto na própria BR-471 (comidinha fraca diga-se de passagem e não fomos só nós que reclamamos).

Chegamos no Chuí às 15h30 quando paramos para abastecer o carro e verificar o óleo. Além disso comprei alguns Pesos Uruguaios ali mesmo ao dono do posto de gasolina. Entramos no Uruguai por volta das 16h00, fizemos imigração e seguimos até Punta chegando lá por volta das 19h30.

Punta del Este+Montevidéu/Uruguai: quem me conhece mais de perto sabe que eu gosto de me perder. Inclusive acho que já falei sobre isso em outro post aqui no blog (adorava me perder em São Paulo em 2011 quando vim morar aqui e depois perdeu a graça porque conhecia muita coisa já e todo mundo fala a mesma língua que eu. Depois, em 2012, me perdi em Paris, sozinho e sem falar a língua local.. aí já foi mais emocionante. Agora foi a vez de me perder no Uruguai para o desespero da minha noiva que não compartilha do mesmo gosto rsrs). A partir do momento que adentramos terras uruguaias, o GPS do celular já não respondia devidamente (Waze). Mas seguimos as placas e chegamos em nosso destino. No entanto, para encontrar o endereço que ficaríamos hospedados, precisamos parar no shopping de Punta e tentar conectar na zona de wifi da praça de alimentação. Enfim, quando chegamos no apartamento que havia contratado também pelo Airbnb, tivemos uma pequena decepção: nesse caso o anfitrião não era exatamente higiênico e nós já estávamos super cansados. Ele não tinha toalhas e precisamos voltar ao shopping para comprar. Nesse momento desistimos de ficar ali e resolvemos pesquisar uma opção de hotel. Em Punta del Este, em cima da hora, só conseguimos valores acima de R$ 500,00 para uma dormida apenas. Foi aí que decidimos seguir para Montevidéu onde há mais ofertas e é um pouco mais barato (120km a mais, mas pelo menos a pista é boa, duplicada e bem sinalizada e encontramos hotel mais em conta do que o valor encontrado em Punta). Dessa vez o Booking.com nos salvou e reservei o Aparthotel Mercosur Universitas muuito bom, bem no centro da capital uruguaia. A essa altura já batera algum desespero pelo fato de não estarmos com GPS, por estar chovendo o caminho todo até Montevidéu, por ter dirigido 1000km ao longo do dia e estarmos demasiadamente exaustos, praticamente esgotados física e emocionalmente. Para encontrar a localização do Universitas não foi exatamente fácil, mas alguns taxistas nos ajudaram. Nos recolhemos às 00h30. A partir daí, baixei o aplicativo Here Maps e baixei os mapas do Uruguai e da Argentina para navegar offline. Muito bom.. também nos salvou por vários dias.

Mais…

Até aqui não sabíamos o que passaríamos, o que segue.

Na terça-feira (09/fev) partimos de Montevidéu às 14h00 (no horário local) em direção à Buenos Aires. Nesse momento houve um novo imprevisto: a ideia era seguir por 180km a oeste até Colonia Del Sacramento onde tomaríamos um Ferry Boat e atravessaríamos o Rio de La Plata até o Puerto Madero na capital argentina, mas não foi bem assim. Tomei informação com o recepcionista do hotel em Montevidéu e confrontei com a informação de um frentista no posto em que abastecera ainda na mesma cidade. Ambos concordaram que o melhor caminho seria aquele que eu já estava inclinado a seguir desde o início: a travessia de balsa. No entanto, chegando em Colonia animados, eis que surge a surpresa indesejada: não havia mais vaga para o nosso carro. Resultado: além de uma grande frustração (afinal, aquele seria um dia praticamente de descanso, fazendo a travessia do rio por 3 horas, sem precisar dirigir e chegar cedo em Buenos Aires), tivemos de subir o rio até a fronteira do Uruguai com a Argentina na altura da ponte de Fray Bentos e depois descer até Buenos Aires, aumentando o nosso percurso em 470km nesse trecho (total do dia 650km). Naquela hora deu vontade (sabe aquela vontade que dá e passa?) de desistir, mas na verdade não havia muito o que fazer, afinal já estávamos muito longe de qualquer lugar e voltar atrás não resolveria a nossa situação, então a nossa solução prática foi seguir em frente, assim, de pronto.

Para ser pior, não esperávamos que as Rutas 21 e 55 que ligam Colonia Del Sacramento até sair em José Enrique Rodó (entroncamento que pega Ruta 2 novamente até a Argentina) seriam rotas praticamente desertas e em péssimas condições de uso (passam por reforma atualmente). Partes de terra, de cascalho e de asfalto esburacado mais um cenário desértico e por que não dizer amedrontador com o entardecer, compõem os “infinitos” 110km desse trecho. Aliás, nem mesmo sabíamos por quanto tempo ficaríamos naquela rota com aquelas condições e parece que isso era ainda mais perturbador.

Enfim, o pior ficou pra trás quando finalmente alcançamos a Ruta 2 com o Sol se pondo. Era hora de dar uma pausa para esticar as pernas e tentar comer algo. Adentramos uma cidadela chamada Mercedes, 30km antes de cruzar a fronteira. Ali compramos algumas frutas (bananas, melancia e pêssegos) em uma banca de frutas numa esquina de um bairro qualquer (compramos com dólar porque os pesos uruguaios já haviam cessado – eles aceitam qualquer moeda, mas é preciso ficar esperto com a cotação deles, portanto, calculadora na mão e café pra o tico e teco acordarem). Entramos mais umas quadras e encontramos uma pequena pizzaria onde jantamos. Ali, finalmente consegui telefonar para a Sra. Silvia, a nossa anfitriã em Buenos Aires, informando do nosso atraso.

Destaque deve ser dado à beleza dos uruguaios de modo geral.. em todos os lugares que passamos lá vimos bastante gente bonita, inclusive nas cidadezinhas minúsculas do interior. A atendente da pizzaria, por exemplo, uma caipirinha de uns 20 anos, mas recebeu o nosso elogio. Segundo a minha noiva, o povo pode não saber se vestir, mas bonitos são rsrs.

Buenos Aires/Argentina: finalmente conseguimos sair do Uruguai cruzando a ponte de Fray Bentos e a imigração foi tranquila. A partir dali, seguimos ao sul por mais quase 300km quando às 02h00 da madrugada chegamos em Palermo, bairro onde ficamos hospedados. Mais uma vez utilizando o serviço do Airbnb.com.

Um parêntese: quando estivemos na Casa Rosada, sede da presidência da República da Argentina onde o agora Presidente Maurício Macri exerce suas funções em boa parte do tempo, presenciamos um acampamento de comunistas lá. É animador saber que ali, país de origem do Che Guevara, as pessoas finalmente perceberam que o caminho estava errado e votaram pela saída da esquerda do poder, dando lugar a uma visão de direita. Espero que esse dia não esteja tão longe para o Brasil.

Outra coisa.. em todas as lojas de suvenirs que entramos, percebi a abundância de artigos dedicados a homenagear o Che Guevara =/ que bosta.

Ficamos devendo a visita ao zoológico que tem os bichinhos dopados.. não deu pra ir dessa vez por conta do cronograma da viagem, precisamos seguir. Partimos de Buenos Aires na quinta-feira (11/fev) às 14h00 e dirigimos por 860km até Santo Tome (cidade na Argentina e que faz fronteira com São Borja, no Brasil). Conseguimos chegar em Santo Tome às 3h00 da madrugada e eu realmente já não aguentava mais dirigir de tanto sono. Procuramos ali um hotel para pernoitar mas não havia vagas disponíveis. Observe que esse ponto da viagem era apenas de passagem, uma vez que o nosso destino era Foz do Iguaçú. Fizemos então a travessia da fronteira e 20km depois fomos dormir em São Borja/RS. Bom, eu nem precisaria ter falado sobre essa cidade Santo Tome não fosse o meu interesse em comentar algo que nos chamou a atenção: a cidade é pequena mas parece que as pessoas lá tem hábitos noturnos apenas. Molecada jogando futsal em uma quadra, um grupo de jovens (meninos e meninas) conversando em um terraço de uma casa, outros adolescentes conversando em uma calçada, mais a frente uma menininha de aproximadamente 5 anos brincando sozinha em frente de casa. Pessoas saindo de casa arrumadas àquela hora como se estivessem saindo para a balada. Tipo.. é como se fosse no máximo 9h da noite mas na verdade era 3h da madrugada. Isso foi estranho!! rsrs Outro detalhe interessante sobre essa parte foi que em Santo Tome todo mundo fala espanhol e basta atravessar a fronteira e todos já estão falando português (diferente do Chuí/RS, por exemplo, onde há uma influência maior dos uruguaios e as pessoas tem sotaque dos hermanos).

Enfim, conseguimos dormir já era quase 4h da madrugada e às 10h da manhã pé na estrada, afinal, estávamos a 460km do nosso destino e não tinha tempo para conversa. Chegamos em Foz do Iguaçú às 17h00 (horário de Brasília), mas não antes de passar por um policial corrupto já perto da fronteira, chegando em Puerto Iguazú. Fomos parados por um policial que perguntou de onde estávamos vindo e para onde estávamos indo, ao que respondemos de pronto. Imediatamente ele nos pediu para encostar o carro à direita que iríamos receber explicações ali de uma moça. Ela então se aproximou com uma bolsinha dessas de TNT com uns materiais publicitários dentro e nos cobrou uma taxa de 40 Pesos Argentinos (~ R$ 10,00). Eu perguntei se aquilo era obrigatório e ela, desconfiada, afirmou que sim. Paguei o valor mas ao chegar na imigração o agente me respondeu que não era obrigatório e que aquilo era uma vergonha uma vez que esse tipo de hábito acaba por espantar os turistas. Na verdade o valor é pequeno, mas a abordagem deles, inclusive envolvendo um policial, o que faz parecer que é algo oficial do governo, nos fez lembrar que apesar de estarmos fora do Brasil, ainda estávamos em um país subdesenvolvido onde a corrupção parece que corre nas veias.

Foz do Iguaçú/PR: chegando ao Brasil novamente, fomos direeeto para o hotel que estava reservado. Jantamos em uma churrascaria (comida brasileeeeira =D), descansamos bem e no outro dia pela manhã fomos visitar as cataratas do lado argentino (por restrições de relógio mesmo, tivemos de optar entre visitar o lado brasileiro ou o argentino e acabamos por ir ver o lado dos hermanos).

Passamos quase todo o dia do sábado nesse passeio das cataratas então só beliscamos no almoço. Daí jantamos novamente na churrascaria e às 08h00 do domingo partimos de volta para São Paulo, uma tirada de 1.060km em um dia só. Chegamos perto das 21h00 e dormimos em um hotel perto do aeroporto de Guarulhos, de onde o meu amor partiu na manhã seguinte para Campina Grande, deixando saudosas lembranças dos nossos dias de aventura juntos (como desenha um coração aqui?? rsrs)

Bom, após todo esse relato, devo dizer o que sinto depois dessa experiência. Gosto muito de viajar assim e o fato de ter ido de carro nos possibilita maior independência e liberdade para fazer o que der na telha. Vi relatos de casais que viajaram por 5.000km em 15 dias. No nosso caso, foram apenas 9 dias para 5.740km, ou seja, foi muito puxado. Como tudo tem os dois lados, o lado ruim de ter feito em apenas 9 dias foi o fato de não ter muito tempo para relaxar, para fazer mais registros, para apreciar por mais tempo os lugares. O caso das cataratas, por exemplo, eu ficaria ali por horas só observando, mas deixarei para uma próxima vez dedicar mais tempo à contemplação daquela maravilha. Tudo aconteceu de maneira muito rápida e não havia muito tempo para pensar quando o improviso se fazia necessário, então nem sempre pudemos ter as melhores escolhas, as melhores fotos, as melhores comidas.

Por ourto lado, a parte boa foi a oportunidade de nos submeter a limites físicos e emocionais e assim poder nos conhecer mais. Foi realmente uma viagem que exigiu muito de nós dois e eu diria que, apesar de eu ter dirigido sempre, certamente exigiu ainda mais da Alane pelo fato de ela não ter costume de viajar por tanto tempo assim, pelo fato de ela já ter vindo de Campina Grande de avião e ao desembarcar já pulou no carro para pegar a estrada e na manhã seguinte que chegamos ela já pulou no avião de volta para Campina Grande por conta do trabalho e ainda devido algumas restrições alimentares que ela tem (intolerância à lactose). Mas tudo isso nos fez sentir mais ligados do que nunca um ao outro, cuidados mútuos. Ainda assim, conhecemos pessoas diferentes e culturas diversas das grandes cidades em que passamos às pequenas. Interagimos com essas pessoas, nem sempre foi um sucesso, mas na maioria das vezes sim. Tivemos surpresas boas e ruins.. coisas que jamais imaginaríamos nos acontecer. Vimos cenários lindos, paisagens fantásticas por essas terras e o que não registramos com as lentes dos nossos gadgets, guardamos na nossa memória para sempre.

Sendo assim, concluo este relato e volto a citar o Amir Klink quando disse:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Fico por aqui! Beijos e abraços 😉

Projetos de adequação de máquinas à NR 12

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Projeto executivo: modelamento em ambiente virtual tridimensional | Adequação de uma prensa à NR 12 – Jundiaí / SP

Saudações aos que aqui visitam. Após mais alguns anos sem atualização no blog, venho por esta publicação lançar uma novidade: a minha nova atividade profissional. Portanto, reservo este novo espaço em meu site para expôr os novos trabalhos aos quais tenho dedicado meu tempo quase que integralmente: trata-se do serviço especializado de adequação de máquinas à NR 12 (norma regulamentadora de nº 12, implementada e atualizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que normatiza procedimentos de segurança e proteção de maquinários por todo o parque fabril brasileiro).

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Adequação de uma prensa à NR 12 – Jundiaí / SP

Nesse contexto, tenho desenvolvido projetos mecânicos de engenharia em adequação de máquinas à referida norma, utilizando tecnologia 3D para projetar e desenvolver o conceito das soluções, discutindo sempre, e quando necessário até à exaustão, a melhor solução junto ao cliente. Faço uso do ambiente virtual tridimensional para propôr as soluções da maneira mais eficiente possível. Vou procurar postar sempre atualizações de novos trabalhos por esta página. Seja bem vindo!

Adequação à NR 12
Adequação de prensa à NR 12 – Jundiaí / SP.
Adequação NR 12
Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
Adequação NR 12
Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
Adequação NR 12
Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
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Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
NR 12
Projeto exeutivo de adequação de prensas à NR-12 (solução híbrida com enclausuramento e carenagens).
NR 12
Projeto exeutivo de adequação de prensas à NR-12 (solução híbrida com enclausuramento e carenagens).

Food for thought – para refletir

Por Gustavo Coutinho

Sou um. Nascido, criado, educado, certo e errado, dentro de um contexto muito específico representado pelas minhas interações, ou seja, o ambiente e os outros, o outside. Somado a esse contexto, eu mesmo, com minhas características estéticas e dinâmicas, necessidades e anseios, vícios e virtudes, o inside.

Como seres humanos, naturalmente convivemos, formando uma sociedade que é resumidamente a soma de cada um, que não eu, comigo mesmo. Cada um, tal como eu, dentro de seus próprios e específicos contextos, cada um sendo a soma de um inside e um outside. Quanta complexidade!

Na tentativa de reger essa orquestra, tenta-se de tudo, cria-se convenções e paradigmas, prega-se o benefício da maioria. É, talvez, a maior e mais complexa canção a ser orquestrada de todas as dimensões imagináveis. A maior obra de arte jamais percebida.

A maioria de nós possui, como características estéticas e dinâmicas, cinco fiéis sentidos e outros instrumentos tais como voz, raciocínio, consciência, aparência, expectativas, perspectivas, entre outros. Eu diria que essas são algumas das regras, algumas das limitações às quais estamos submetidos enquanto seres humanos.

Com o passar do tempo evoluímos em alguma direção. Não consigo afirmar se boa ou se má, mas evoluímos. Aparentemente, dentro da minha percepção limitada, temos seguido rumo a tempos mais difíceis para a maioria de nós, haja vista os alarmes soando, clamando por consciência e desenvolvimento sustentável. Haja vista o incremento de 6 bilhões de indivíduos ao 1 bilhão existente ao findar o Século XVIII, isto é, 600% de crescimento em um período de apenas dois séculos, uma explosão demográfica.

Eu provoco sua reflexão: precisamos de regras? Precisamos ser éticos? Precisamos ter uma base sólida? Precisamos pensar no mundo? Precisamos pensar no futuro? Precisamos pensar no outro? Precisamos ter ideias? Precisamos ser fúteis? O quanto? Qual o seu papel no mundo? Reflita sobre estas perguntas sem pressa, assuma uma posição e siga em frente, mas faça com autenticidade e consistência.

Por onde vivi: Campina Grande

Na internet existe bastante conteúdo sobre qualquer cidade que tenhamos interesse em saber. Portanto, nos próximos posts me aterei em concentrar algumas informações interessantes, sob o meu ponto de vista, sobre as cidades onde morei até hoje: Campina Grande, São Paulo e Dublin.

Começando pelo começo: Campina Grande

Campina Grande localiza-se no estado brasileiro da Paraíba. Estou certo de que algumas [talvez várias] pessoas que acessarem o post não sabem ou não tem certeza de onde fica a cidade, apesar de ela estar seguramente posicionada entre as 100 cidades mais importantes do Brasil. Com mais de 400.000 habitantes, é a 56ª população do país [dados do Censo 2010], ficando a frente de algumas capitais [posição razoável considerando o país com 5.565 municípios]. Divide a posição de cidade mais importante do interior nordestino com a baiana Feira de Santana, pelo seu dinamismo e potencial de desenvolvimento econômico para a região.

É uma cidade realmente especial sob vários aspectos com destaque para educação de nível superior, indústria, comércio e serviços, posição geográfica e condições climáticas.

Campina Grande conta atualmente com duas instituições federais de ensino superior [Universidade Federal de Campina Grande e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba], uma instituição estadual de ensino superior [Universidade Estadual da Paraíba] e outras onze faculdades privadas [FACISA, Faculdade de Ciências Médicas, UNESC, CESREI, Maurício de Nassau, Faculdade Anglo Americano, Faculdade Paulista de Tecnologia, Instituto Campinense de Ensino Superior, IPECG, Universidade Aberta Vida, Escola Superior de Aviação Civil]. Considerada uma verdadeira formadora de mão-de-obra qualificada, a cidade exporta profissionais para os mais variados centros em todos os raios imagináveis. Isso é possível principalmente pelo portfólio de competentes profissionais formados nas áreas de engenharia e tecnologia [tradição da cidade]. Destaque para os cursos de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação, ambos da UFCG, que estão entre os dez melhores do país [e dentro de alguns anos o curso de Engenharia de Produção também (= ]. Pelo potencial educacional que a cidade possui, é inevitável a atração de estudantes provenientes de várias cidades da Paraíba assim como de todos os estados nordestinos. Pessoas que vão à Campina Grande em busca do conhecimento e, após formados, se vão para outros lugares em busca de um bom posicionamento profissional. Infelizmente a cidade não possui ainda capacidade para absorver a maior parte destes talentos, o que de certa forma chega a ser injusto. Ainda a UFCG oferece outros notáveis cursos [destacados entre os melhores do Brasil] como Licenciatura em Matemática, Meteorologia, Engenharia Agrícola e Engenharia de Materiais. Considerando todas as instituições, a oferta de cursos [em diversas áreas, desde graduação a doutorado] na cidade é bem razoável.

A cidade se destaca ainda como um dos lugares do país com maior número proporcional de Ph. Ds. – um para cada 669 habitantes [clique aqui para ver reportagem da revista Veja]. Conta com um parque tecnológico que incubou vários negócios bem sucedidos a exemplo da empresa Light Infocon que desenvolveu/desenvolve softwares que foram/são utilizados pela Polícia Federal brasileira, pelo Banco Bradesco, Caixa Econômica Federal, Gol Linhas Aéreas, INFRAERO, Ministério da Saúde brasileiro, Ministério da Defesa brasileiro, SEBRAE, Interpol, Polícia da Espanha, o banco britânico Barclays Bank entre outros. Uma década atrás, a revista americana Newsweek mencionou Campina Grande em uma matéria sobre inovação tecnológica [clique aqui para ver a matéria original em inglês no site da revista – Campina Grande é citada na segunda página desta matéria] e mais recentemente, uma exposição em cartaz no maior museu de ciência da Europa, o Cité des Sciences et de I’Industrie [Cidade das Ciências e das Indústrias] em Paris, aponta Campina Grande como uma das duas cidades da América Latina com destaque na inovação tecnológica mundial. A outra é São Paulo [clique para ver os mapas: Mapa 1 | Mapa 2]. Foi considerada pela Voce S/A entre as 100 melhores cidades para trabalhar no Brasil em 2011, sendo a 1ª colocada no interior nordestino, ficando atrás apenas das capitais da região.

Com relação às indústrias instaladas na cidade, destacam-se algumas como a gigante têxtil Coteminas S.A., a São Paulo Alpargatas S.A. com a Unidade 22 responsável exclusivamente por toda a produção [última informação que conheço é de 650.000 pares/dia] das sandálias Havaianas, empregando diretamente cerca de 7.000 funcionários. Temos ainda empresas como Felinto Embalagens Flexíveis, Metalúrgica Silvana, Tess Indústria de Calçados, a fábrica de microcomputadores, notebooks e netbooks N3 Computadores Ltda., Betonit União Nordeste S.A., Artecola Nordeste S.A., entre muitas outras. Outros setores que também tem se destacado na cidade são serviços, construção civil e comércio. Juntos, estes setores tem crescido e gerado vagas de emprego.

Com relação à posição geográfica de Campina Grande, esta se encontra a 120 km a oeste da capital João Pessoa, ligada através da BR-230 [pista duplicada de excelente qualidade diga-se de passagem]. Está situada em cima da Serra da Borborema a cerca de 600 metros de altitude. Por este motivo, um caso a parte da região, a temperatura média anual fica em torno de 24ºC, podendo chegar a 13ºC à noite e 40ºC nos dias mais quentes. Dista 190 km de Recife [PE], 239 km de Natal [RN], 614 km de Fortaleza [CE], 336 km de Maceió [AL], 845 km de Salvador [BA], 2.325 km do Rio de Janeiro [RJ], 2.632 km de São Paulo [SP] e cerca de 8.000 km de Dublin [Irlanda].

Campina Grande é conhecida pelo título de Maior São João do Mundo. São trinta dias de festa no Parque do Povo, na região central da cidade, movimentando o turismo da região com a passagem de cerca de 1,5 milhão de turistas a cada ano durante o período. Além do Parque do Povo [com as variadas atrações tais como quadrilhas juninas, comidas típicas, quantidade suficiente de gente bonita e muito forró], existem outras atrações principais como o Trem do Forró, o Sítio São João e as casas de show Spazzio e Vila Forró que promovem grandes festas durante o período junino.

Ao que se refere aos níveis de sustentabilidade da cidade, de acordo com informações baseadas em uma pesquisa fomentada pelo SEBRAE/PB e executada pelo grupo de pesquisa GEGIT/UFCG [Grupo de Estudos em Gestão da Inovação Tecnológica] – ao qual ofereci uma contribuição participando diretamente da pesquisa no levantamento de dados no ano de 2008, sob coordenação direta dos professores Gesinaldo Ataíde Cândido e Egídio Luiz Furlanetto -, o Desenvolvimento Sustentável influencia a competitividade dos Arranjos Produtivos Locais [APLs]. As efetivas relações com as formas mais adequadas de atuação das organizações para geração do desenvolvimento de maneira equilibrada e equitativa, capaz de contribuir na reversão de vários problemas, tais como: sociais; econômicos; político-institucionais; ambientais; e demais aspectos relacionados ao desenvolvimento.

Portanto, uma das principais dificuldades do processo de implementação do desenvolvimento sustentável decorre dos critérios de análise dos seus resultados, para os quais são utilizados os sistemas de indicadores de sustentabilidade [clique para ver metodologia], explorando várias dimensões [compostas por vários indicadores específicos], a saber:

– Dimensão Social;
– Dimensão Demográfica;
– Dimensão Institucional;
– Dimensão Econômica;
– Dimensão Ambiental;
– Dimensão Cultural.

Para acessar os resultados quantitativos finais desse estudo, clique aqui. Neste link é apresentado o resultado da pesquisa com os indicadores individuais de cada uma das seis dimensões assim como o índice global [IDSM] na última aba e sempre fazendo uma comparação entre o índice da cidade em questão e o índice do estado.

Apenas para dar uma visão geral dos indicadores de desenvolvimento sustentável de Campina Grande, vejamos o biograma abaixo:

Consideremos que o melhor resultado possível seria todos os indicadores iguais a 1.00, ou seja, sustentabilidade total. Eu diria que esta situação não se aplica a nenhum município brasileiro nem de qualquer outro país em desenvolvimento. Mas uma situação ideal seriam todos os indicadores mais próximos de 1.00 [entre 0.75 e 1.00] de maneira equilibrada e harmônica, descrevendo quase um hexágono perfeito. No caso do biograma apresentado acima, percebe-se que as dimensões Demográfica e Institucional são as mais deficientes, ou seja, são as que merecem mais atenção, principalmente por parte da administração pública. De todo modo, considerando o contexto da Paraíba, cujo IDSM médio é 0.3427 [estado de alerta segundo a escala definida pelo estudo], Campina Grande apresenta IDSM [0.6024] bem acima da média do estado, se enquadrando no nível de aceitável. É possível afirmar ainda que esse índice poderia ser naturalmente melhor caso as demais cidades do estado não apresentassem índices tão desafiadores [na Paraíba, apenas a capital João Pessoa – 0.6587 – e Campina Grande apresentam níveis aceitáveis de sustentabilidade, enquanto as 231 cidades restantes apresentam nível de alerta]. O contexto influencia o resultado individual de cada cidade, sobretudo considerando as regiões administrativas das principais cidades. Infelizmente não encontrei pesquisas feitas com o mesmo propósito em outras regiões do país para efeito de comparação.

Um artigo que merece destaque dentre as inovações promovidas por Campina Grande é o algodão colorido naturalmente ou “algodão ecologicamente correto”. Trata-se de uma metodologia desenvolvida pela EMBRAPA onde o algodão é plantado e já nasce na cor determinada. As tonalidades desenvolvidas até agora são marrom, rubi, safira e verde que interagem também com a tradicional cor branca, possibilitando a produção de artigos diferenciados que aos poucos vem ganhando seu espaço no mercado nacional e internacional. Em breve o algodão colorido terá agregado o selo de identificação geográfica, que diz respeito à origem do produto e assim como o “Espumante Champagne”, o “Vinho do Porto”, o “Presunto de Parma” e o “Vinho Bourdeaux”, teremos o “Algodão Colorido da Paraíba”.

Uma excelente iniciativa de alguns campinenses  “sangue bom” foi a criação do site CampinaCresceComVoce.org que, mais ou menos como diz o Doutor em História Alarcon Agra, se propõe a ser um canalizador de esforços, ideias, convites, ousadias e esperanças provenientes, sobretudo, de pessoas que amam esta cidade.

Para finalizar este post devo dizer que como todo campinense da gema, me sinto orgulhoso desse título. É claro que como toda cidade, essa também apresenta boa quantidade de problemas… mas de todo modo, é uma cidade realmente especial e acima de tudo, de um povo esforçado, trabalhador e autêntico.