A viagem: Brasil — Europa [31/jan – 2/fev]

[.:Texto escrito em 15 de fevereiro:.]

No dia 31 de janeiro, acordamos pelas 10h e demos início ao processo de despacho das minhas malas junto comigo para a Europa, por onde permanecerei durante o próximo semestre, entre outras coisas, aprendendo outro idioma: o Inglês. O meu voo estava previsto para as 14h50 (horário local). Foi necessário um pouco de agilidade de nossa parte para evitar inconveniências até a hora do embarque. Chegando ao Aeroporto Internacional do Recife (Guararapes) em bom tempo, fomos ao check in da TAM e para variar.. excesso de peso. Diferente do que aconteceu na última vez (de SP para João Pessoa foram 10 kg a mais), agora foram apenas 3 kg excedentes. Infelizmente precisei abrir mão de um empreendimento que me arriscara a fazer: tive que me desfazer de alguns itens da culinária brasileira (feijão entre eles) para poder adequar minha mala e poder dar continuidade à viagem. Despedida do irmão Romero e do primo Pedro.. vamos ao Rio Janeiro “curtir” um pouco desse passeio maravilhoso incrementado em meu percurso pela cia aérea Ibéria Airlines, mas não sem antes passar pela primeira revista das tantas que vinham pela frente e eu nem desconfiava… uma verdadeira maratona. Três horas de voo depois desembarcamos no Galeão com conexão prevista para as 21h. No entanto, fomos informados imediatamente de que o próximo voo estava atrasado em uma hora e meia e nos concederam um sútil jantar em um dos restaurantes do aeroporto, o qual o nome agora não me vem à memória. Jantar consumado, segunda revista da maratona feita… aguardemos o embarque. Pelas 23h estávamos levantando voo a bordo de um Boeing 727 em direção à Madrid onde faria conexão então para o meu destino final Dublin, Irlanda (Doce Ilusão I).

Chegamos em Madrid ao meio dia (horário local) e foi então que percebi que meu voo seguinte já havia partido havia cinco minutos. Fui ao balcão de atendimento ao consumidor da Ibéria e a atendente me direcionou para um voo que estava para partir dali a 20 minutos. Para quem não tem conhecimento, o Aeroporto Internacional de Barajas – Madrid, Espanha – é o quarto maior da Europa e o 11º maior do mundo. Passei pela terceira revista da jornada e para não ter folga, o portão de embarque para este voo era o R5 (tipo.. na outra ponta do aeroporto). Alguns quilômetros depois… alcancei meu objetivo: o avião. Mas não tão fácil… um funcionário me impediu de embarcar alegando que a minha bagagem não embarcara naquela aeronave por não ter havido tempo hábil para tal manobra. Solução? Voltar ao balcão de atendimento da Ibéria e solicitar remanejamento. Dessa vez a atendente me colocou em um voo que partira às 14h30 com conexão no Aeroporto de Londres Heathrow (o maior do mundo em termos de tráfego de passageiros internacionais, portanto, um dos mais rígidos sistemas de segurança aeroportuários), mas não sem antes passar pela quarta revista. Ao desembarcar em Londres, segui até o terminal indicado no bilhete e para isto precisei usar o ônibus do terminal. Em seguida veio a primeira revista especificamente desse aeroporto e a quinta da viagem até então e após veio a imigração. Esta parte do percurso demanda um parágrafo especial.

Confesso que não contava com imigração nesse aeroporto e fui pego de surpresa. Preenchi então o formulário disponibilizado no guichê e em seguida fui à fila. Chegada minha vez, a agente de imigração começou a solicitar toda a minha documentação e iniciou uma batelada de questionamentos. Não preciso dizer que precisei me virar nos 30 para superar esta etapa já que o meu nível de inglês é bem limitado. As perguntas foram: “o que veio fazer?”; “quanto tempo vai ficar?”; “onde vai ficar?”; “quanto dinheiro trouxe?”; “posso ver?”; “tem o comprovante de pagamento do curso?”; “quem pagou?”; “como?”; “o que você fazia no Brasil?” e mais uma ou outra que já não lembro. Devo ressaltar que ela não foi nada agradável no tom de voz e na forma como conduziu o interrogatório, mas isso eu já esperava. Depois de eu ter respondido aos questionamentos, ela me devolveu todos os meus papéis, mas ficou com o meu bilhete e o meu passaporte e pediu para que eu sentasse e esperasse. Por essa altura, o meu voo para Dublin já se aproximava demasiadamente e na mesma medida o nervosismo e a ansiedade aumentavam. Como marinheiro de primeira viagem, confesso que por alguns minutos cheguei a pensar que partiria dali mesmo de volta ao Brasil como deportado, baseado no tratamento que vira a receber por parte da tal agente de imigração. Quando vi que já estava para perder o voo, levantei e tentei novamente falar com a moça que não me deu a mínima atenção, no entanto, percebi que estava a carimbar o meu passaporte. Recebi o passaporte carimbado e segui para embarcar (Doce Ilusão II). Não recordo exatamente a sequência dos fatos, mas no total foram três revistas só no aeroporto de Londres. Em cada revista se faz necessário enfrentar fila, chegada sua vez então tirar notebook de dentro da mochila, tirar jaqueta, tirar cinto, tirar tênis e todos os demais acessórios metálicos e depois recompor-se novamente. Até esse momento eu já alcançava a marca das 7 revistas durante toda a viagem. Vencida toda a burocracia, finalmente cheguei ao guichê da Aer Lingus e constatei que mais uma vez havia perdido o voo. Novamente fui remanejado para outro voo e precisei esperar cerca de uma hora até conseguir definitivamente embarcar para Dublin, onde cheguei por volta das 22h.

Já no aeroporto de Dublin, fui até a imigração e mais uma vez me deparei com um puto que foi estupidamente grosso, no entanto, este fez menos perguntas e logo carimbou o meu passaporte e me liberou. Quando fui então buscar a minha mala, mais uma surpresa: ela não estava naquela aeronave (Triste Realidade I). Fui até o guichê da Aer Lingus reclamar a minha bagagem e dessa vez fui muito bem tratado pelo atendente da cia. O mesmo me concedeu o telefone para que eu pudesse contatar a agência de intercâmbio que estava a me esperar em um endereço em Dublin 13 (D13), pegou os meus dados e o endereço para o qual deveria enviar a mala.

Meu plano inicial era chegar à Dublin com a minha mala ainda pela tarde, ser recebido pelo transfer que me levaria até D13, deixar a mala na acomodação, pegar as cartas que o Henri me escreveu e em seguida voltar para o aeroporto onde passaria a noite já que eu tinha mais um voo para Paris pela manhã logo cedinho. No entanto, com toda essa trapalhada promovida inicialmente pela Ibéria, não consegui estabelecer contato mais cedo com a agência e perdi o transfer. Enfim, a minha mala não chegou, não consegui ter as cartas do Henri em mãos e acabei ficando lá mesmo pelo aeroporto por toda a noite até chegar a hora de embarcar, dessa vez pela Ryanair para o aeroporto Paris Beauvais às 6h da manhã. A essa altura, eu continuava sem dormir absolutamente nada e pensava que só estaria instalado confortavelmente para dormir um bom sono dali a pelo menos algumas horas. Que venha então a última revista de check in da maratona: a oitava, embarcando para Paris. Cerca de uma hora e meia após decolar, estávamos em solo francês [sob um frio de -5ºC e muito vento] e eu só recordava de três parâmetros que me guiariam até o encontro do meu amigo Henri: primeiro o telefone dele que eu fiz questão de memorizar; além disso eu sabia que o aeroporto Paris Beauvais era pequeno e eu teria de adquirir um ticket de ônibus no valor de 15 euros; por fim, eu lembrava que a viagem do aeroporto até meu destino levaria uma hora e meia. Tentei lembrar o nome do lugar onde o Henri mora e não conseguia, provavelmente devido ao volume de informações e acontecimentos, agravados pelo cansaço físico e mental daquela viagem sem fim. Então busquei um mapa da cidade junto ao guichê e tentei localizá-lo ao leste de Paris: sem sucesso. Havia vários nomes parecidos – sob o meu ponto de vista – que não me permitiram identificar o nome correto. Então não pensei muito: comprei o ticket de 15 euros e embarquei no ônibus. Marquei a hora que saímos do aeroporto e pensei comigo que dali a uma hora e meia eu saltaria do ônibus, localizaria um telefone para contatá-lo e informaria onde eu estava para que o mesmo fosse ao meu encontro. E assim aconteceu… uma hora e meia após, eu e todos que estavam no ônibus descemos, mas eu ainda não tinha certeza de que estava no lugar combinado. Localizei um grande hotel chamado Concorde La Fayette e lá pedi ao recepcionista para fazer uma ligação. O mesmo negou e sugeriu que eu comprasse um cartão telefônico em uma tabacaria ali perto. Eu o fiz e tentei ligar de um telefone público sem sucesso. Busquei outro telefone nas proximidades e não encontrei até que adentrei um hotel mais modesto e pedi ajuda ao recepcionista que me ajudou fazendo o telefonema para o Henri. Então o mesmo me informou que uma amiga nossa francesa, a Marie, estava indo ao meu encontro e eu citei o Concorde La Fayette como ponto de encontro onde a encontrei dez minutos depois, ou seja, por alguma sorte acabei acertando.

Essa foi então a primeira aventura no velho continente. Depois conto mais =D see you

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