Paciência: criação dos pontos

Por ser filho de um engenheiro, não sei até que ponto isso me influenciou a sempre ter tido interesse por cursar Engenharia. Mas além desse fato, a verdade é que sempre tive afinidade com matemática e a área de exatas em geral. No final de 2002 prestei vestibular para Engenharia Elétrica [1ª opção] e Desenho Industrial [2ª opção] na UFCG e [1º ponto] Ciências Contábeis na UEPB. Confesso que nunca havia pensado na possibilidade de ser contador mas sob sugestão de familiares resolvi tentar o vestibular. Quando saiu o resultado positivo de Contábeis/UEPB [cuja concorrência havia sido maior que a de Engenharia Elétrica/UFCG] eu só queria saber de comemorar com meus familiares e amigos e acabei abandonando o vestibular da UFCG que ainda ia realizar a segunda etapa. Aos 17 anos eu não tinha certeza de nada.. digo, não sabia o que seria melhor.. se Engenharia, se Contábeis. Lembro que sempre havia uma expectativa generalizada de que Contábeis era uma excelente área para fundamentar uma preparação de uma carreira no setor público, sobretudo, concursos para auditor fiscal. Eu gostei de estudar os princípios contábeis, as partidas dobradas, os ativos e passivos, contabilidade gerencial e financeira, custos, auditoria etc., enfim, o curso é realmente bem interessante. No entanto, eu não esquecia a possibilidade de em algum momento cursar Engenharia. Foi então quando em 2004 abriu edital para o então recém criado curso de [2º ponto] Engenharia de Produção [EP] pela UFCG e não posso esquecer que tive total apoio dos meus pais para fazê-lo, apesar das críticas e desestimulos recebidos de várias outras pessoas próximas. Na ocasião só abrira 40 vagas para segunda entrada, ou seja, 2005.2. Por ter sido um edital especial e de urgência, a concorrência foi bem baixa e alguns dias pós prova, estava lá meu nome como aprovado. A UFCG havia passado por uma greve e estava com o calendário bem atrasado. Por isso, as aulas do período 2005.2 só tiveram início em 1/fevereiro/2006. O que veio muito a calhar no meu caso, visto que estava ainda cursando Contábeis e nunca pensei em desistir simplesmente para dar lugar à Engenharia. Àquela altura eu já queria ambos. Então o ano de 2006 foi bem puxado pra mim.. eu passava o dia inteiro [todos os dias] me deslocando entre as duas universidades [detalhe: Contábeis era diurno e Engenharia era período integral]. Tentei transferir Contábeis para noturno sem sucesso. Então depois de ter montado os meus horários em ambas universidades, passei a negociar com alguns professores da Contábeis para assistir as aulas a noite. Então ficou assim: nos horários livres da UFCG pela manhã eu estava em sala de aula na UEPB. Pela tarde eu tinha aula na UFCG e pela noite novamente na UEPB. Em alguns espaços [de tempo] livres eu me dividia entre as conversas com objetivos empreendedores [ver mais] e, obviamente, outros assuntos pessoais.

Engraçado era a sensação de que as disciplinas de Contábeis passaram a ser tão fáceis depois que entrei em EP. Infelizmente [ou não] eu só consegui aproveitar quatro disciplinas de um curso para o outro [Introdução à Probabilidade, Metodologia Científica, Fundamentos de Economia e Custos da Produção].

Em dezembro/2006 defendi meu TAO [Trabalho Acadêmico Orientado] em Contábeis na área de custos sob orientação do prof. Antonino [praticamente uma lenda da UEPB] e em janeiro/2007 foi a minha 1ª colação de grau.

Por variados motivos [entre os principais.. o amadurecimento, a vontade de estudar Engenharia e, sem dúvida, as diferenças “ambientais” entre as duas instituições], minha atuação mudou completamente de um curso para o outro. No primeiro curso eu ia levando.. traduzindo: eu era so mais um. Já no segundo curso, considero que “ser apenas mais um” já não se aplicava. Estive envolvido dos pés à cabeça, não raramente até à alma. Sem sombra de dúvidas, essa tem sido a maior escola da minha vida. Estudar para pagar as disciplinas, participar de projetos, publicar, apresentar, reinvidicar, lutar, brigar, compartilhar, trabalhar em equipe e, acima de tudo, construir amizades saudáveis e eternas.

Por outro lado havia o meu envolvimento com o mundo da [3º ponto] informática, sobretudo, com PHP + MySQL no desenvolvimento web desde 2002. Muitas pessoas ficam curiosas quanto ao fato de eu nunca ter pensado em prestar vestibular para Ciências da Computação. A explicação mais íntima e honesta para esse fato é de que eu tinha a sensação de que  não era necessário entrar na faculdade para estudar algo que eu podia aprender de maneira auto-didata [do modo como aprendi a programar, pelo menos até o nível que eu gostaria]. Eu queria outros conhecimentos, outras áreas que eu pudesse juntar no futuro com aquelas que eu já conhecia. Eu nunca quis ser exatamente um especialista, me considero bem generalista.. acho que esse texto mostra bem isso.

Desse modo, ano passado estava sendo entrevistado [para estágio] por um senhor engenheiro de uma empresa de tubulações industriais em São Paulo quando, depois de algum tempo de conversa, o mesmo me questionou quanto aos meus objetivos, se eu não estava divagando um pouco diante do que ele viu no meu currículo [Contábeis, EP e informática]. Então o que eu respondi na ocasião foi algo que, coincidentemente, bateu com um comentário feito pelo Steve Jobs em seu conhecido discurso de colação de grau em Stanford University, USA, sobre ligar os pontos. Respondi pra ele que diante das novas exigências do mercado, a multidisciplinariedade é um diferencial. Realmente não sei como os pontos serão ligados, ainda não cheguei lá.. mas concordo plenamente com o que disse o guru da Apple.

Em dezembro/2011 colei grau pela segunda vez e desde então sou, também, Engenheiro de Produção.

E você pode perguntar: de onde vem tanta paciência nesse cara? E eu posso responder.. bom, além de pisciano [rsrs] a minha maior fonte de paciência sobre tudo isso, vem da confiança que tenho de que os pontos vão se ligar em algum momento e eu sentirei que terá valido mesmo a pena, tendo seguido o meu caminho, do jeito que eu achei melhor pra mim.

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