E o Lula é o quê?

Quer-se fazer do Lula um mito, um santo, um herói. Esquece-se que na vida real não existem mitos, não existem esses tipos de santos. O mais próximo que existe de um herói no Brasil é aquele ou aquela que trabalha, que muitas vezes precisa fazer alguns ou muitos sacrifícios diários para obter o próprio sustento e o da sua prole. Você deve conhecer pessoas desse tipo que estou mencionando, não são tão raras (seus pais? Você mesmo, talvez?!).

Já o Lula com todo seu carisma e inclinação para saber lidar com as pessoas mais necessitadas, seu cinismo, seu potencial de líder desenvolvido nos tempos de sindicalista aclamado por uma grande quantidade de trabalhadores, em sua maior parte, sem grande nível de instrução, caiu nas graças do povo brasileiro (ajudado por marqueteiros, não esqueçamos), o que culminou na sua eleição em 2002 (uma esperança de mudança?). Mas o povo brasileiro sente uma necessidade de ter seus próprios heróis custe o que custar… será por causa do nosso “complexo de vira-lata” definido pelo Nelson Rodrigues lá nos anos 50 ou apenas um recalque por não termos criado o Batman ou o Super-Homem?

Mas lhe digo, a culpa é bem menos da audácia e da insensatez do Lula, pois é muito mais dos incompetentes que o tinham por oponente – inclusive os da então situação – por tão frágeis e incapacitados de convencer e suprir as carências desse mesmo povo. É culpa ainda da opinião desenvolvida com base no gramscismo que vira há alguns anos transformando a mentalidade dos brasileiros desde as primeiras lições na escola, como algo por assim dizer, quase imperceptível (mas isso aí já é assunto para os especialistas, de preferência os bons). O Lula apenas deitou em uma cama que já vinha sendo preparada, já estava pronta. Deitou e rolou. Aproveitou o seu momento, a fraqueza e vulnerabilidade do oponente. O desejo de mudança que nós, carentes, ansiávamos. Um pequeno mérito e ponto. Mas daí virar herói da nação?

Nada disso! Foi apenas mais um Presidente do nosso lindo, mas carente país e, portanto, enquanto nessa condição tinha a obrigação de representar e conduzir bem o Brasil para um futuro melhor. Um Presidente de uma nação é, sobretudo, alguém que foi eleito pelo povo para exercer o cargo de chefe do executivo, portanto, um administrador. Amplamente disseminadas, as funções básicas de um administrador são: planejar, organizar, dirigir e controlar. Por esse ângulo, pode-se dizer que o governo Lula fracassou em todas estas funções. Atitudes mal planejadas e tomadas em seu governo foram plantadas e estão sendo colhidas nos últimos anos e agora chegando à pior fase: uma grave recessão. Sim, pois a recessão em que mergulhamos é resultado do mal planejamento, da opção do uso do nosso dinheiro em iniciativas enviesadas em detrimento de iniciativas inteligentes, fundadas em seu governo e continuadas no governo de sua sucessora (e não mera crise política criada pela oposição como dizem). A verdade é que em seu governo, nosso país perdeu uma grande oportunidade.

Quem comete atos ilícitos, deve ser julgado e punido. Essa expressão deve servir para todos. Se esse ex-Presidente roubou, talvez descubramos em breve. Se o fez, que seja devidamente punido. E reitero o que deve ser o desejo de pelo menos uma parte do povo brasileiro: qualquer um, antes ou depois do Lula, que tenha agido ilicitamente, que seja julgado e punido à proporção dos seus atos. Qual motivo eu teria para desejar privilégios a este ou aquele?

Em breve alusão ao que vivenciamos, observe:

Cena 1 (sobre a viabilidade econômica): um senhor trabalhou durante anos para construir algum patrimônio e o fez ao empreender como dono de mercadinho de bairro. Ao aposentar-se, resolveu passar as suas atribuições ao filho único. O filho que havia sido rebelde com os pais na adolescência, excêntrico, resolve ser carismático e fazer doações de alimentos às pessoas pobres da comunidade. Ele doa então todo o seu estoque, mesmo aqueles produtos que não haviam sido pagos ainda ao fornecedor. O povo faminto receptor dessa grande caridade fica vislumbrado com a atitude humana daquele bom rapaz. Passado algum tempo, os fornecedores começam a cobrar as duplicatas que o rapaz carismático esquecera de pagar.

Cena 2 (prova da inviabilidade econômica / resultado): o rapaz carismático agora cheio de seguidores, fãs e dívidas não tem como pagar e também não terá como manter a assistência àquelas famílias recém beneficiadas. Teria falhado nas funções básicas de um bom administrador (planejar, organizar, dirigir e controlar). E agora? Como dar continuidade em ajudar essas pessoas? Como sustentar uma utopia? Não seria mais possível. Ilusão!

Cena 3 (prova da inviabilidade social): fim da ilusão, as pessoas que se acostumaram a receber a ajuda estavam agora sem ter o que comer, com esperança de aquele jovem resolver os problemas deles como o fizera algum tempo atrás e, acomodados, não mais investindo o seu tempo em buscar melhorias para a própria vida. Eles clamam que o rapaz retorne para ajudá-los, mas já não há mais como. O rapaz é apenas um incapaz e, sob pressão, mostra a sua verdadeira face da rebeldia.

Mas o Lula… o Lula é só efeito. O que preocupa mesmo é a nossa alienação enquanto povo constituinte do poder maior da nossa nação. Esse é o pior veneno, a verdadeira causa raiz. Apesar de não termos praticado exatamente um ato ilícito em colocar o PT no poder (será?), já fomos julgados e agora estamos sendo punidos: essa é a justiça divina.

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