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E o Lula é o quê?

Quer-se fazer do Lula um mito, um santo, um herói. Esquece-se que na vida real não existem mitos, não existem esses tipos de santos. O mais próximo que existe de um herói no Brasil é aquele ou aquela que trabalha, que muitas vezes precisa fazer alguns ou muitos sacrifícios diários para obter o próprio sustento e o da sua prole. Você deve conhecer pessoas desse tipo que estou mencionando, não são tão raras (seus pais? Você mesmo, talvez?!).

Já o Lula com todo seu carisma e inclinação para saber lidar com as pessoas mais necessitadas, seu cinismo, seu potencial de líder desenvolvido nos tempos de sindicalista aclamado por uma grande quantidade de trabalhadores, em sua maior parte, sem grande nível de instrução, caiu nas graças do povo brasileiro (ajudado por marqueteiros, não esqueçamos), o que culminou na sua eleição em 2002 (uma esperança de mudança?). Mas o povo brasileiro sente uma necessidade de ter seus próprios heróis custe o que custar… será por causa do nosso “complexo de vira-lata” definido pelo Nelson Rodrigues lá nos anos 50 ou apenas um recalque por não termos criado o Batman ou o Super-Homem?

Mas lhe digo, a culpa é bem menos da audácia e da insensatez do Lula, pois é muito mais dos incompetentes que o tinham por oponente – inclusive os da então situação – por tão frágeis e incapacitados de convencer e suprir as carências desse mesmo povo. É culpa ainda da opinião desenvolvida com base no gramscismo que vira há alguns anos transformando a mentalidade dos brasileiros desde as primeiras lições na escola, como algo por assim dizer, quase imperceptível (mas isso aí já é assunto para os especialistas, de preferência os bons). O Lula apenas deitou em uma cama que já vinha sendo preparada, já estava pronta. Deitou e rolou. Aproveitou o seu momento, a fraqueza e vulnerabilidade do oponente. O desejo de mudança que nós, carentes, ansiávamos. Um pequeno mérito e ponto. Mas daí virar herói da nação?

Nada disso! Foi apenas mais um Presidente do nosso lindo, mas carente país e, portanto, enquanto nessa condição tinha a obrigação de representar e conduzir bem o Brasil para um futuro melhor. Um Presidente de uma nação é, sobretudo, alguém que foi eleito pelo povo para exercer o cargo de chefe do executivo, portanto, um administrador. Amplamente disseminadas, as funções básicas de um administrador são: planejar, organizar, dirigir e controlar. Por esse ângulo, pode-se dizer que o governo Lula fracassou em todas estas funções. Atitudes mal planejadas e tomadas em seu governo foram plantadas e estão sendo colhidas nos últimos anos e agora chegando à pior fase: uma grave recessão. Sim, pois a recessão em que mergulhamos é resultado do mal planejamento, da opção do uso do nosso dinheiro em iniciativas enviesadas em detrimento de iniciativas inteligentes, fundadas em seu governo e continuadas no governo de sua sucessora (e não mera crise política criada pela oposição como dizem). A verdade é que em seu governo, nosso país perdeu uma grande oportunidade.

Quem comete atos ilícitos, deve ser julgado e punido. Essa expressão deve servir para todos. Se esse ex-Presidente roubou, talvez descubramos em breve. Se o fez, que seja devidamente punido. E reitero o que deve ser o desejo de pelo menos uma parte do povo brasileiro: qualquer um, antes ou depois do Lula, que tenha agido ilicitamente, que seja julgado e punido à proporção dos seus atos. Qual motivo eu teria para desejar privilégios a este ou aquele?

Em breve alusão ao que vivenciamos, observe:

Cena 1 (sobre a viabilidade econômica): um senhor trabalhou durante anos para construir algum patrimônio e o fez ao empreender como dono de mercadinho de bairro. Ao aposentar-se, resolveu passar as suas atribuições ao filho único. O filho que havia sido rebelde com os pais na adolescência, excêntrico, resolve ser carismático e fazer doações de alimentos às pessoas pobres da comunidade. Ele doa então todo o seu estoque, mesmo aqueles produtos que não haviam sido pagos ainda ao fornecedor. O povo faminto receptor dessa grande caridade fica vislumbrado com a atitude humana daquele bom rapaz. Passado algum tempo, os fornecedores começam a cobrar as duplicatas que o rapaz carismático esquecera de pagar.

Cena 2 (prova da inviabilidade econômica / resultado): o rapaz carismático agora cheio de seguidores, fãs e dívidas não tem como pagar e também não terá como manter a assistência àquelas famílias recém beneficiadas. Teria falhado nas funções básicas de um bom administrador (planejar, organizar, dirigir e controlar). E agora? Como dar continuidade em ajudar essas pessoas? Como sustentar uma utopia? Não seria mais possível. Ilusão!

Cena 3 (prova da inviabilidade social): fim da ilusão, as pessoas que se acostumaram a receber a ajuda estavam agora sem ter o que comer, com esperança de aquele jovem resolver os problemas deles como o fizera algum tempo atrás e, acomodados, não mais investindo o seu tempo em buscar melhorias para a própria vida. Eles clamam que o rapaz retorne para ajudá-los, mas já não há mais como. O rapaz é apenas um incapaz e, sob pressão, mostra a sua verdadeira face da rebeldia.

Mas o Lula… o Lula é só efeito. O que preocupa mesmo é a nossa alienação enquanto povo constituinte do poder maior da nossa nação. Esse é o pior veneno, a verdadeira causa raiz. Apesar de não termos praticado exatamente um ato ilícito em colocar o PT no poder (será?), já fomos julgados e agora estamos sendo punidos: essa é a justiça divina.

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Road trip de carnaval pelo MERCOSUL

Saudações a todos e aqui vamos nós com mais um post que seria o sumo de mais uma experiência que tive recentemente viajando por esse mundão (de carro).

Dessa vez fui na companhia da minha noiva Alane Ramos que mais uma vez se mostrou uma excelente companheira de viagem. Obrigado por tudo amor =)

Percorremos exatamente 5.740km em um período de 9 dias (entre 05/fev e 14/fev), partindo do aeroporto de Guarulhos/SP até Curitiba/PR. Depois seguimos pela BR-101 em direção à região de Florianópolis/SC e entramos pela Serra Catarinense através de uma rodovia federal BR-282 para acessar a cidade de Urubici/SC e na sequência Canela/RS. O destino seguinte foi Punta del Este/Uruguai, depois Montevidéu/Uruguai, Buenos Aires/Argentina, São Borja/RS, Foz do Iguaçú/PR e finalmente, São Paulo/SP já no dia 14/fev.

Roteiro_5-mil-Km5

Em pormenores, devo detalhar toda essa experiência com o propósito de registrá-la para a posteridade bem como para ajudar possíveis aventureiros que se interessem por empreender este trajeto. Procurarei, inclusive, detalhar informações que tivemos dificuldades de encontrar ou não encontramos quando estávamos na fase de planejamento da trip.

Curitiba/PR: onde pernoitamos (observe que 05/fev era o primeiro dia de carnaval oficial, ou seja, dia em que muitos paulistanos deixam a capital para curtir a festa em outros lugares e por essa razão sair de São Paulo de carro pode se tornar um pesadelo e quando se trata da horripilante Serra do Cafezal na Rod. Régis Bittencourt/Sul, aí a coisa muda de nível: em feriados, pessoas chegam a passar horas e horas paradas nesse trecho da rodovia que está em obra de duplicação há alguns anos). Por sorte, o meu medo ficou pra trás quando nos aproximávamos da serra e lá já haviam letreiros informando que o trânsito estava “normal” (na verdade, esse normal significa que há congestionamento sim, mas é o mesmo de todos os dias onde se leva 30 minutos para percorrer 12km). Pouco tempo depois que vencemos a serra, iniciou-se lá um engarrafamento gigantesco (escapamos uff). Chegamos em Curitiba por volta das 17h00 e fomos dar uma volta no Jardim Botânico que é mandatório =)

Nossa parada em Curitiba foi estratégica, apenas para tentar adiantar a Serra do Cafezal e fazer uma aproximação da Serra Gaúcha onde dormiríamos no dia seguinte. Desse modo, optamos por pousar no Ibis.

No dia seguinte iniciamos a nossa viagem às 8h, no entanto, o primeiro imprevisto ocorrera: a luz do painél indicava baixo nível do óleo do motor. Irresponsabilidade minha? Explico: havia feito uma manutenção completa do meu carro apenas 2 meses antes, sendo que o carro ainda ficou um mês parado quando viajei para o nordeste para as festas de fim de ano. O problema é que fiz a substituição do jogo de correias do motor e do retentor e exatamente esse tal novo retentor apresentou problema fazendo com que o óleo vazasse quando o motor está em funcionamento. Saimos do hotel direto para um posto para abastecer e verificar o óleo: pegou 2,5 litros (absurdo). Seguimos viagem pela BR-101 em direção à região de Floripa, mas com alguns quilômetros rodados percebemos fumaça partindo do motor. Parei e verifiquei que havia óleo vazando e sujando o motor. Seguimos até uma oficina com medo de precisar interromper a viagem, mas ficamos felizes quando o mecânico nos informou que o problema era pequeno e que precisaríamos apenas monitorar o nível do óleo ao longo da viagem e sempre completar para manter o nível adequado. Nesse passo, a viagem toda consumiu 12 litros de óleo.

Urubici/SC: esse dia (sábado de carnaval) pegamos muito trânsito até conseguir passar da região de Floripa. Quando conseguimos alcançar Urubici/SC na Serra Catarinense já marcava 18h00 no relógio, ou seja, entre problemas no carro, ida ao mecânico, trânsito de carnaval e (óbvio) algumas paradinhas para tirar fotos, levamos 10 horas para percorrer 450km. Sem contar que essa região da Serra Catarinense fizemos pela BR-282 e pegamos muuuuita cerração, depois chuva, além das sinuosas curvas daquela serra que chega a quase 2000 metros de altitude e é considerada o ponto mais alto habitado do Brasil (I’ve googled it rsrs).

Mas um caminho muuuito bonito, paisagens realmente marcantes (claro que nem todo o percurso era de cerração).

Canela+Gramado/RS (Serra Gaúcha): seguimos de Urubici até Canela/RS onde ficaríamos por duas noites. Nesse caso seguimos por Lages/SC (jantamos no novo Shopping Lages e recomendamos), depois Vacaria/RS até passar por Caxias do Sul/RS e chegar em Canela às 3h00 da madrugada. É uma lástima que tenhamos feito esse trajeto já de noite e não conseguimos ver a beleza que é devido à escuridão. Ficamos hospedados na casa super elegante e aconchegante de um casal gaúcho (a Natália e o Juliano) que encontramos no Airbnb.com (quem ainda não conhece o serviço, trate de conhecer =)).

E mais…

Partimos de Canela às 6h00 em direção à Punta del Este seguindo por Porto Alegre -> Pelotas -> Rio Grande -> Chuí. Quando seguimos pela BR-471 rumo à fronteira do Brasil com o Uruguai percebemos ficar gradativamente com ares de um ambiente remoto, com fazendas e várias instalações/silos para armazenagem de arroz. A parte boa é que a estrada é bem regular, sem curvas sinuosas e sem grandes subidas/descidas. A parte não tão boa é que é tudo pista simples (isto é, não tem duplicação). Percebemos que a oferta de opções para comer já é bem escassa e acabamos por almoçar na região da Praia da Capilha em um pequeno restaurante de posto na própria BR-471 (comidinha fraca diga-se de passagem e não fomos só nós que reclamamos).

Chegamos no Chuí às 15h30 quando paramos para abastecer o carro e verificar o óleo. Além disso comprei alguns Pesos Uruguaios ali mesmo ao dono do posto de gasolina. Entramos no Uruguai por volta das 16h00, fizemos imigração e seguimos até Punta chegando lá por volta das 19h30.

Punta del Este+Montevidéu/Uruguai: quem me conhece mais de perto sabe que eu gosto de me perder. Inclusive acho que já falei sobre isso em outro post aqui no blog (adorava me perder em São Paulo em 2011 quando vim morar aqui e depois perdeu a graça porque conhecia muita coisa já e todo mundo fala a mesma língua que eu. Depois, em 2012, me perdi em Paris, sozinho e sem falar a língua local.. aí já foi mais emocionante. Agora foi a vez de me perder no Uruguai para o desespero da minha noiva que não compartilha do mesmo gosto rsrs). A partir do momento que adentramos terras uruguaias, o GPS do celular já não respondia devidamente (Waze). Mas seguimos as placas e chegamos em nosso destino. No entanto, para encontrar o endereço que ficaríamos hospedados, precisamos parar no shopping de Punta e tentar conectar na zona de wifi da praça de alimentação. Enfim, quando chegamos no apartamento que havia contratado também pelo Airbnb, tivemos uma pequena decepção: nesse caso o anfitrião não era exatamente higiênico e nós já estávamos super cansados. Ele não tinha toalhas e precisamos voltar ao shopping para comprar. Nesse momento desistimos de ficar ali e resolvemos pesquisar uma opção de hotel. Em Punta del Este, em cima da hora, só conseguimos valores acima de R$ 500,00 para uma dormida apenas. Foi aí que decidimos seguir para Montevidéu onde há mais ofertas e é um pouco mais barato (120km a mais, mas pelo menos a pista é boa, duplicada e bem sinalizada e encontramos hotel mais em conta do que o valor encontrado em Punta). Dessa vez o Booking.com nos salvou e reservei o Aparthotel Mercosur Universitas muuito bom, bem no centro da capital uruguaia. A essa altura já batera algum desespero pelo fato de não estarmos com GPS, por estar chovendo o caminho todo até Montevidéu, por ter dirigido 1000km ao longo do dia e estarmos demasiadamente exaustos, praticamente esgotados física e emocionalmente. Para encontrar a localização do Universitas não foi exatamente fácil, mas alguns taxistas nos ajudaram. Nos recolhemos às 00h30. A partir daí, baixei o aplicativo Here Maps e baixei os mapas do Uruguai e da Argentina para navegar offline. Muito bom.. também nos salvou por vários dias.

Mais…

Até aqui não sabíamos o que passaríamos, o que segue.

Na terça-feira (09/fev) partimos de Montevidéu às 14h00 (no horário local) em direção à Buenos Aires. Nesse momento houve um novo imprevisto: a ideia era seguir por 180km a oeste até Colonia Del Sacramento onde tomaríamos um Ferry Boat e atravessaríamos o Rio de La Plata até o Puerto Madero na capital argentina, mas não foi bem assim. Tomei informação com o recepcionista do hotel em Montevidéu e confrontei com a informação de um frentista no posto em que abastecera ainda na mesma cidade. Ambos concordaram que o melhor caminho seria aquele que eu já estava inclinado a seguir desde o início: a travessia de balsa. No entanto, chegando em Colonia animados, eis que surge a surpresa indesejada: não havia mais vaga para o nosso carro. Resultado: além de uma grande frustração (afinal, aquele seria um dia praticamente de descanso, fazendo a travessia do rio por 3 horas, sem precisar dirigir e chegar cedo em Buenos Aires), tivemos de subir o rio até a fronteira do Uruguai com a Argentina na altura da ponte de Fray Bentos e depois descer até Buenos Aires, aumentando o nosso percurso em 470km nesse trecho (total do dia 650km). Naquela hora deu vontade (sabe aquela vontade que dá e passa?) de desistir, mas na verdade não havia muito o que fazer, afinal já estávamos muito longe de qualquer lugar e voltar atrás não resolveria a nossa situação, então a nossa solução prática foi seguir em frente, assim, de pronto.

Para ser pior, não esperávamos que as Rutas 21 e 55 que ligam Colonia Del Sacramento até sair em José Enrique Rodó (entroncamento que pega Ruta 2 novamente até a Argentina) seriam rotas praticamente desertas e em péssimas condições de uso (passam por reforma atualmente). Partes de terra, de cascalho e de asfalto esburacado mais um cenário desértico e por que não dizer amedrontador com o entardecer, compõem os “infinitos” 110km desse trecho. Aliás, nem mesmo sabíamos por quanto tempo ficaríamos naquela rota com aquelas condições e parece que isso era ainda mais perturbador.

Enfim, o pior ficou pra trás quando finalmente alcançamos a Ruta 2 com o Sol se pondo. Era hora de dar uma pausa para esticar as pernas e tentar comer algo. Adentramos uma cidadela chamada Mercedes, 30km antes de cruzar a fronteira. Ali compramos algumas frutas (bananas, melancia e pêssegos) em uma banca de frutas numa esquina de um bairro qualquer (compramos com dólar porque os pesos uruguaios já haviam cessado – eles aceitam qualquer moeda, mas é preciso ficar esperto com a cotação deles, portanto, calculadora na mão e café pra o tico e teco acordarem). Entramos mais umas quadras e encontramos uma pequena pizzaria onde jantamos. Ali, finalmente consegui telefonar para a Sra. Silvia, a nossa anfitriã em Buenos Aires, informando do nosso atraso.

Destaque deve ser dado à beleza dos uruguaios de modo geral.. em todos os lugares que passamos lá vimos bastante gente bonita, inclusive nas cidadezinhas minúsculas do interior. A atendente da pizzaria, por exemplo, uma caipirinha de uns 20 anos, mas recebeu o nosso elogio. Segundo a minha noiva, o povo pode não saber se vestir, mas bonitos são rsrs.

Buenos Aires/Argentina: finalmente conseguimos sair do Uruguai cruzando a ponte de Fray Bentos e a imigração foi tranquila. A partir dali, seguimos ao sul por mais quase 300km quando às 02h00 da madrugada chegamos em Palermo, bairro onde ficamos hospedados. Mais uma vez utilizando o serviço do Airbnb.com.

Um parêntese: quando estivemos na Casa Rosada, sede da presidência da República da Argentina onde o agora Presidente Maurício Macri exerce suas funções em boa parte do tempo, presenciamos um acampamento de comunistas lá. É animador saber que ali, país de origem do Che Guevara, as pessoas finalmente perceberam que o caminho estava errado e votaram pela saída da esquerda do poder, dando lugar a uma visão de direita. Espero que esse dia não esteja tão longe para o Brasil.

Outra coisa.. em todas as lojas de suvenirs que entramos, percebi a abundância de artigos dedicados a homenagear o Che Guevara =/ que bosta.

Ficamos devendo a visita ao zoológico que tem os bichinhos dopados.. não deu pra ir dessa vez por conta do cronograma da viagem, precisamos seguir. Partimos de Buenos Aires na quinta-feira (11/fev) às 14h00 e dirigimos por 860km até Santo Tome (cidade na Argentina e que faz fronteira com São Borja, no Brasil). Conseguimos chegar em Santo Tome às 3h00 da madrugada e eu realmente já não aguentava mais dirigir de tanto sono. Procuramos ali um hotel para pernoitar mas não havia vagas disponíveis. Observe que esse ponto da viagem era apenas de passagem, uma vez que o nosso destino era Foz do Iguaçú. Fizemos então a travessia da fronteira e 20km depois fomos dormir em São Borja/RS. Bom, eu nem precisaria ter falado sobre essa cidade Santo Tome não fosse o meu interesse em comentar algo que nos chamou a atenção: a cidade é pequena mas parece que as pessoas lá tem hábitos noturnos apenas. Molecada jogando futsal em uma quadra, um grupo de jovens (meninos e meninas) conversando em um terraço de uma casa, outros adolescentes conversando em uma calçada, mais a frente uma menininha de aproximadamente 5 anos brincando sozinha em frente de casa. Pessoas saindo de casa arrumadas àquela hora como se estivessem saindo para a balada. Tipo.. é como se fosse no máximo 9h da noite mas na verdade era 3h da madrugada. Isso foi estranho!! rsrs Outro detalhe interessante sobre essa parte foi que em Santo Tome todo mundo fala espanhol e basta atravessar a fronteira e todos já estão falando português (diferente do Chuí/RS, por exemplo, onde há uma influência maior dos uruguaios e as pessoas tem sotaque dos hermanos).

Enfim, conseguimos dormir já era quase 4h da madrugada e às 10h da manhã pé na estrada, afinal, estávamos a 460km do nosso destino e não tinha tempo para conversa. Chegamos em Foz do Iguaçú às 17h00 (horário de Brasília), mas não antes de passar por um policial corrupto já perto da fronteira, chegando em Puerto Iguazú. Fomos parados por um policial que perguntou de onde estávamos vindo e para onde estávamos indo, ao que respondemos de pronto. Imediatamente ele nos pediu para encostar o carro à direita que iríamos receber explicações ali de uma moça. Ela então se aproximou com uma bolsinha dessas de TNT com uns materiais publicitários dentro e nos cobrou uma taxa de 40 Pesos Argentinos (~ R$ 10,00). Eu perguntei se aquilo era obrigatório e ela, desconfiada, afirmou que sim. Paguei o valor mas ao chegar na imigração o agente me respondeu que não era obrigatório e que aquilo era uma vergonha uma vez que esse tipo de hábito acaba por espantar os turistas. Na verdade o valor é pequeno, mas a abordagem deles, inclusive envolvendo um policial, o que faz parecer que é algo oficial do governo, nos fez lembrar que apesar de estarmos fora do Brasil, ainda estávamos em um país subdesenvolvido onde a corrupção parece que corre nas veias.

Foz do Iguaçú/PR: chegando ao Brasil novamente, fomos direeeto para o hotel que estava reservado. Jantamos em uma churrascaria (comida brasileeeeira =D), descansamos bem e no outro dia pela manhã fomos visitar as cataratas do lado argentino (por restrições de relógio mesmo, tivemos de optar entre visitar o lado brasileiro ou o argentino e acabamos por ir ver o lado dos hermanos).

Passamos quase todo o dia do sábado nesse passeio das cataratas então só beliscamos no almoço. Daí jantamos novamente na churrascaria e às 08h00 do domingo partimos de volta para São Paulo, uma tirada de 1.060km em um dia só. Chegamos perto das 21h00 e dormimos em um hotel perto do aeroporto de Guarulhos, de onde o meu amor partiu na manhã seguinte para Campina Grande, deixando saudosas lembranças dos nossos dias de aventura juntos (como desenha um coração aqui?? rsrs)

Bom, após todo esse relato, devo dizer o que sinto depois dessa experiência. Gosto muito de viajar assim e o fato de ter ido de carro nos possibilita maior independência e liberdade para fazer o que der na telha. Vi relatos de casais que viajaram por 5.000km em 15 dias. No nosso caso, foram apenas 9 dias para 5.740km, ou seja, foi muito puxado. Como tudo tem os dois lados, o lado ruim de ter feito em apenas 9 dias foi o fato de não ter muito tempo para relaxar, para fazer mais registros, para apreciar por mais tempo os lugares. O caso das cataratas, por exemplo, eu ficaria ali por horas só observando, mas deixarei para uma próxima vez dedicar mais tempo à contemplação daquela maravilha. Tudo aconteceu de maneira muito rápida e não havia muito tempo para pensar quando o improviso se fazia necessário, então nem sempre pudemos ter as melhores escolhas, as melhores fotos, as melhores comidas.

Por ourto lado, a parte boa foi a oportunidade de nos submeter a limites físicos e emocionais e assim poder nos conhecer mais. Foi realmente uma viagem que exigiu muito de nós dois e eu diria que, apesar de eu ter dirigido sempre, certamente exigiu ainda mais da Alane pelo fato de ela não ter costume de viajar por tanto tempo assim, pelo fato de ela já ter vindo de Campina Grande de avião e ao desembarcar já pulou no carro para pegar a estrada e na manhã seguinte que chegamos ela já pulou no avião de volta para Campina Grande por conta do trabalho e ainda devido algumas restrições alimentares que ela tem (intolerância à lactose). Mas tudo isso nos fez sentir mais ligados do que nunca um ao outro, cuidados mútuos. Ainda assim, conhecemos pessoas diferentes e culturas diversas das grandes cidades em que passamos às pequenas. Interagimos com essas pessoas, nem sempre foi um sucesso, mas na maioria das vezes sim. Tivemos surpresas boas e ruins.. coisas que jamais imaginaríamos nos acontecer. Vimos cenários lindos, paisagens fantásticas por essas terras e o que não registramos com as lentes dos nossos gadgets, guardamos na nossa memória para sempre.

Sendo assim, concluo este relato e volto a citar o Amir Klink quando disse:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Fico por aqui! Beijos e abraços 😉

Projetos de adequação de máquinas à NR 12

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Projeto executivo: modelamento em ambiente virtual tridimensional | Adequação de uma prensa à NR 12 – Jundiaí / SP

Saudações aos que aqui visitam. Após mais alguns anos sem atualização no blog, venho por esta publicação lançar uma novidade: a minha nova atividade profissional. Portanto, reservo este novo espaço em meu site para expôr os novos trabalhos aos quais tenho dedicado meu tempo quase que integralmente: trata-se do serviço especializado de adequação de máquinas à NR 12 (norma regulamentadora de nº 12, implementada e atualizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que normatiza procedimentos de segurança e proteção de maquinários por todo o parque fabril brasileiro).

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Adequação de uma prensa à NR 12 – Jundiaí / SP

Nesse contexto, tenho desenvolvido projetos mecânicos de engenharia em adequação de máquinas à referida norma, utilizando tecnologia 3D para projetar e desenvolver o conceito das soluções, discutindo sempre, e quando necessário até à exaustão, a melhor solução junto ao cliente. Faço uso do ambiente virtual tridimensional para propôr as soluções da maneira mais eficiente possível. Vou procurar postar sempre atualizações de novos trabalhos por esta página. Seja bem vindo!

Adequação à NR 12
Adequação de prensa à NR 12 – Jundiaí / SP.
Adequação NR 12
Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
Adequação NR 12
Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
Adequação NR 12
Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
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Adequação NR 12 de uma linha de processamento de produtos de madeira – Botucatu / SP
NR 12
Projeto exeutivo de adequação de prensas à NR-12 (solução híbrida com enclausuramento e carenagens).
NR 12
Projeto exeutivo de adequação de prensas à NR-12 (solução híbrida com enclausuramento e carenagens).

Por onde vivi: Campina Grande

Na internet existe bastante conteúdo sobre qualquer cidade que tenhamos interesse em saber. Portanto, nos próximos posts me aterei em concentrar algumas informações interessantes, sob o meu ponto de vista, sobre as cidades onde morei até hoje: Campina Grande, São Paulo e Dublin.

Começando pelo começo: Campina Grande

Campina Grande localiza-se no estado brasileiro da Paraíba. Estou certo de que algumas [talvez várias] pessoas que acessarem o post não sabem ou não tem certeza de onde fica a cidade, apesar de ela estar seguramente posicionada entre as 100 cidades mais importantes do Brasil. Com mais de 400.000 habitantes, é a 56ª população do país [dados do Censo 2010], ficando a frente de algumas capitais [posição razoável considerando o país com 5.565 municípios]. Divide a posição de cidade mais importante do interior nordestino com a baiana Feira de Santana, pelo seu dinamismo e potencial de desenvolvimento econômico para a região.

É uma cidade realmente especial sob vários aspectos com destaque para educação de nível superior, indústria, comércio e serviços, posição geográfica e condições climáticas.

Campina Grande conta atualmente com duas instituições federais de ensino superior [Universidade Federal de Campina Grande e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba], uma instituição estadual de ensino superior [Universidade Estadual da Paraíba] e outras onze faculdades privadas [FACISA, Faculdade de Ciências Médicas, UNESC, CESREI, Maurício de Nassau, Faculdade Anglo Americano, Faculdade Paulista de Tecnologia, Instituto Campinense de Ensino Superior, IPECG, Universidade Aberta Vida, Escola Superior de Aviação Civil]. Considerada uma verdadeira formadora de mão-de-obra qualificada, a cidade exporta profissionais para os mais variados centros em todos os raios imagináveis. Isso é possível principalmente pelo portfólio de competentes profissionais formados nas áreas de engenharia e tecnologia [tradição da cidade]. Destaque para os cursos de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação, ambos da UFCG, que estão entre os dez melhores do país [e dentro de alguns anos o curso de Engenharia de Produção também (= ]. Pelo potencial educacional que a cidade possui, é inevitável a atração de estudantes provenientes de várias cidades da Paraíba assim como de todos os estados nordestinos. Pessoas que vão à Campina Grande em busca do conhecimento e, após formados, se vão para outros lugares em busca de um bom posicionamento profissional. Infelizmente a cidade não possui ainda capacidade para absorver a maior parte destes talentos, o que de certa forma chega a ser injusto. Ainda a UFCG oferece outros notáveis cursos [destacados entre os melhores do Brasil] como Licenciatura em Matemática, Meteorologia, Engenharia Agrícola e Engenharia de Materiais. Considerando todas as instituições, a oferta de cursos [em diversas áreas, desde graduação a doutorado] na cidade é bem razoável.

A cidade se destaca ainda como um dos lugares do país com maior número proporcional de Ph. Ds. – um para cada 669 habitantes [clique aqui para ver reportagem da revista Veja]. Conta com um parque tecnológico que incubou vários negócios bem sucedidos a exemplo da empresa Light Infocon que desenvolveu/desenvolve softwares que foram/são utilizados pela Polícia Federal brasileira, pelo Banco Bradesco, Caixa Econômica Federal, Gol Linhas Aéreas, INFRAERO, Ministério da Saúde brasileiro, Ministério da Defesa brasileiro, SEBRAE, Interpol, Polícia da Espanha, o banco britânico Barclays Bank entre outros. Uma década atrás, a revista americana Newsweek mencionou Campina Grande em uma matéria sobre inovação tecnológica [clique aqui para ver a matéria original em inglês no site da revista – Campina Grande é citada na segunda página desta matéria] e mais recentemente, uma exposição em cartaz no maior museu de ciência da Europa, o Cité des Sciences et de I’Industrie [Cidade das Ciências e das Indústrias] em Paris, aponta Campina Grande como uma das duas cidades da América Latina com destaque na inovação tecnológica mundial. A outra é São Paulo [clique para ver os mapas: Mapa 1 | Mapa 2]. Foi considerada pela Voce S/A entre as 100 melhores cidades para trabalhar no Brasil em 2011, sendo a 1ª colocada no interior nordestino, ficando atrás apenas das capitais da região.

Com relação às indústrias instaladas na cidade, destacam-se algumas como a gigante têxtil Coteminas S.A., a São Paulo Alpargatas S.A. com a Unidade 22 responsável exclusivamente por toda a produção [última informação que conheço é de 650.000 pares/dia] das sandálias Havaianas, empregando diretamente cerca de 7.000 funcionários. Temos ainda empresas como Felinto Embalagens Flexíveis, Metalúrgica Silvana, Tess Indústria de Calçados, a fábrica de microcomputadores, notebooks e netbooks N3 Computadores Ltda., Betonit União Nordeste S.A., Artecola Nordeste S.A., entre muitas outras. Outros setores que também tem se destacado na cidade são serviços, construção civil e comércio. Juntos, estes setores tem crescido e gerado vagas de emprego.

Com relação à posição geográfica de Campina Grande, esta se encontra a 120 km a oeste da capital João Pessoa, ligada através da BR-230 [pista duplicada de excelente qualidade diga-se de passagem]. Está situada em cima da Serra da Borborema a cerca de 600 metros de altitude. Por este motivo, um caso a parte da região, a temperatura média anual fica em torno de 24ºC, podendo chegar a 13ºC à noite e 40ºC nos dias mais quentes. Dista 190 km de Recife [PE], 239 km de Natal [RN], 614 km de Fortaleza [CE], 336 km de Maceió [AL], 845 km de Salvador [BA], 2.325 km do Rio de Janeiro [RJ], 2.632 km de São Paulo [SP] e cerca de 8.000 km de Dublin [Irlanda].

Campina Grande é conhecida pelo título de Maior São João do Mundo. São trinta dias de festa no Parque do Povo, na região central da cidade, movimentando o turismo da região com a passagem de cerca de 1,5 milhão de turistas a cada ano durante o período. Além do Parque do Povo [com as variadas atrações tais como quadrilhas juninas, comidas típicas, quantidade suficiente de gente bonita e muito forró], existem outras atrações principais como o Trem do Forró, o Sítio São João e as casas de show Spazzio e Vila Forró que promovem grandes festas durante o período junino.

Ao que se refere aos níveis de sustentabilidade da cidade, de acordo com informações baseadas em uma pesquisa fomentada pelo SEBRAE/PB e executada pelo grupo de pesquisa GEGIT/UFCG [Grupo de Estudos em Gestão da Inovação Tecnológica] – ao qual ofereci uma contribuição participando diretamente da pesquisa no levantamento de dados no ano de 2008, sob coordenação direta dos professores Gesinaldo Ataíde Cândido e Egídio Luiz Furlanetto -, o Desenvolvimento Sustentável influencia a competitividade dos Arranjos Produtivos Locais [APLs]. As efetivas relações com as formas mais adequadas de atuação das organizações para geração do desenvolvimento de maneira equilibrada e equitativa, capaz de contribuir na reversão de vários problemas, tais como: sociais; econômicos; político-institucionais; ambientais; e demais aspectos relacionados ao desenvolvimento.

Portanto, uma das principais dificuldades do processo de implementação do desenvolvimento sustentável decorre dos critérios de análise dos seus resultados, para os quais são utilizados os sistemas de indicadores de sustentabilidade [clique para ver metodologia], explorando várias dimensões [compostas por vários indicadores específicos], a saber:

– Dimensão Social;
– Dimensão Demográfica;
– Dimensão Institucional;
– Dimensão Econômica;
– Dimensão Ambiental;
– Dimensão Cultural.

Para acessar os resultados quantitativos finais desse estudo, clique aqui. Neste link é apresentado o resultado da pesquisa com os indicadores individuais de cada uma das seis dimensões assim como o índice global [IDSM] na última aba e sempre fazendo uma comparação entre o índice da cidade em questão e o índice do estado.

Apenas para dar uma visão geral dos indicadores de desenvolvimento sustentável de Campina Grande, vejamos o biograma abaixo:

Consideremos que o melhor resultado possível seria todos os indicadores iguais a 1.00, ou seja, sustentabilidade total. Eu diria que esta situação não se aplica a nenhum município brasileiro nem de qualquer outro país em desenvolvimento. Mas uma situação ideal seriam todos os indicadores mais próximos de 1.00 [entre 0.75 e 1.00] de maneira equilibrada e harmônica, descrevendo quase um hexágono perfeito. No caso do biograma apresentado acima, percebe-se que as dimensões Demográfica e Institucional são as mais deficientes, ou seja, são as que merecem mais atenção, principalmente por parte da administração pública. De todo modo, considerando o contexto da Paraíba, cujo IDSM médio é 0.3427 [estado de alerta segundo a escala definida pelo estudo], Campina Grande apresenta IDSM [0.6024] bem acima da média do estado, se enquadrando no nível de aceitável. É possível afirmar ainda que esse índice poderia ser naturalmente melhor caso as demais cidades do estado não apresentassem índices tão desafiadores [na Paraíba, apenas a capital João Pessoa – 0.6587 – e Campina Grande apresentam níveis aceitáveis de sustentabilidade, enquanto as 231 cidades restantes apresentam nível de alerta]. O contexto influencia o resultado individual de cada cidade, sobretudo considerando as regiões administrativas das principais cidades. Infelizmente não encontrei pesquisas feitas com o mesmo propósito em outras regiões do país para efeito de comparação.

Um artigo que merece destaque dentre as inovações promovidas por Campina Grande é o algodão colorido naturalmente ou “algodão ecologicamente correto”. Trata-se de uma metodologia desenvolvida pela EMBRAPA onde o algodão é plantado e já nasce na cor determinada. As tonalidades desenvolvidas até agora são marrom, rubi, safira e verde que interagem também com a tradicional cor branca, possibilitando a produção de artigos diferenciados que aos poucos vem ganhando seu espaço no mercado nacional e internacional. Em breve o algodão colorido terá agregado o selo de identificação geográfica, que diz respeito à origem do produto e assim como o “Espumante Champagne”, o “Vinho do Porto”, o “Presunto de Parma” e o “Vinho Bourdeaux”, teremos o “Algodão Colorido da Paraíba”.

Uma excelente iniciativa de alguns campinenses  “sangue bom” foi a criação do site CampinaCresceComVoce.org que, mais ou menos como diz o Doutor em História Alarcon Agra, se propõe a ser um canalizador de esforços, ideias, convites, ousadias e esperanças provenientes, sobretudo, de pessoas que amam esta cidade.

Para finalizar este post devo dizer que como todo campinense da gema, me sinto orgulhoso desse título. É claro que como toda cidade, essa também apresenta boa quantidade de problemas… mas de todo modo, é uma cidade realmente especial e acima de tudo, de um povo esforçado, trabalhador e autêntico.

E agora que o mundo ficou pequeno?

Estima-se que em 1000 d.C. a população mundial era de 310 milhões de habitantes, em 1800 éramos 1 bilhão e agora somos mais de 7 bilhões.

Além disso, com o advento da internet e o aumento significativo da quantidade de voos [leia-se barateamento das passagens aéreas] é possível sentir como se o mundo realmente houvesse se tornado pequeno e a tendência é diminuir ainda mais com a evolução da velocidade da internet e dos transportes [ver, por exemplo, o projeto do túnel transatlântico ligando os EUA à Europa por baixo do mar a uma velocidade de 8000 km/h]. Com isso, o mundo inteiro está mais conectado do que nunca e os acontecimentos estão se dando numa velocidade sem precedentes. Diferente do desconhecido mundo dos desbravadores navegantes que não sabiam aonde as águas oceânicas iam os levar em seus navios movidos à energia eólica, a minha geração não se perde em [quase] lugar algum [se tentar usar o Google Maps ou o GPS para se deslocar pela Coreia do Norte irá se perder], realidade que se tornará muito mais efetiva dentro de não muito tempo. O mundo nunca foi tão explorado como agora, sob todos os aspectos. A velocidade da informação, de modo geral, talvez já tenha alcançado o seu estado da arte ideal ou o mais avançado [visto que uma informação não pode existir antes do acontecimento do fato que a gerou].

Como tudo está interligado de alguma maneira, todas as coisas passaram a acontecer em sincronia com toda essa velocidade, inclusive o consumo dos recursos naturais de que tanto se fala ultimamente. Em toda a história da humanidade, nunca se consumiu tanto como tem acontecido desde a Revolução Industrial [e cada vez mais acelerado, seguindo uma progressão geométrica ou até mesmo uma curva exponencial]. E a grande pergunta que temos feito é: até quando o planeta suportará essa loucura no caminho em que está? E ainda: esse é o caminho para solucionar os grandes problemas sociais?

O desenvolvimento econômico é uma realidade para os que aprenderam a promovê-lo [empresas e nações]. Por outro lado, os problemas reais da humanidade não estão nem perto de serem solucionados. A fome e a miséria, por exemplo, continuam a afetar uma parcela considerável da população mundial. Vejamos algumas estatísticas:

  • Há mais de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo;
  • 11 mil crianças morrem de fome a cada dia;
  • Um terço das crianças dos países em desenvolvimento apresenta atraso no crescimento físico e intelectual;
  • 1,3 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável;
  • 40% das mulheres dos países em desenvolvimento são anêmicas e encontram-se abaixo do peso;
  • O Brasil é o 9º país com maior número de pessoas passando fome no mundo [cerca de 17 milhões de pessoas, sendo que quase a metade vive no Nordeste].
                Esses dados podem ser vistos em vários sites da internet.

Uma das indústrias que mais movimentou e movimenta dinheiro no mundo é a automobilística. Diz-se que existem mais de um bilhão de veículos no mundo. Só no Brasil houve um incremento de aproximadamente 4 milhões de novos carros em 2011. A tendência desse número é aumentar nos próximos anos já que o setor está em expansão no país. Precisamos mesmo de toda essa tralha poluente? Esse é o melhor caminho que temos para seguir? E quando tudo travar de vez? Quando passarmos mais tempo parados no trânsito do que com nossa família? E quando simplesmente se tornar impossível andar de carro devido às vias entupidas? Quanto tempo mais vai durar até isso acontecer?

Temos ainda os problemas da poluição, do aquecimento global, do desmatamento etc. todos de alguma maneira interligados.

Apesar de o desenvolvimento econômico ainda ser o maior desafio para várias nações, parece que o verdadeiro maior desafio da humanidade em breve será a própria sobrevivência da espécie [e das demais por extensão].

Será possível reverter esse desastre?

Particularmente acredito que sim, mas quando falei de grande desafio, falei no sentido mais pleno da palavra.. o que significa: não vai ser pouco difícil. Não que as coisas voltem a ser como foram [por exemplo, animais em extinção não voltarão a existir]. Mas a era do alto consumo deverá cessar e provavelmente usaremos a nossa capacidade racional para sobreviver e viver de maneira mais inteligente. Por vezes, as crises nos levam ao caos que, por sua vez, nos esgota ou nos faz mais fortes. Estamos vivenciando o momento da crise que pode ser longa ou não tanto.. de todo modo, estamos caminhando para uma situação caótica. O caos é a eminência.. a linha tênue entre o fim e o recomeço.

O mundo está ficando pequeno para o homem significa que nunca o “conhecemos” tão bem, e isso não devia ser ruim. A velocidade que tudo tem acontecido, possibilitada pelo capitalismo e pela globalização pode ser a evolução natural das coisas. Mas como sempre, o maior problema das ferramentas revolucionárias inventadas pelo homem é o uso que outros homens fazem delas. Na era do conhecimento, se o utilizarmos a favor do bem.. nunca teremos sido tão bem sucedidos. Precisamos amadurecer nossas ideias quanto a esses pontos, procurar sermos mais realistas, mais conectados com a realidade difícil que nosso planeta está passando.

Abaixo uma galeria de imagens que retirei do Google ilustrando situações [e/ou elementos] indesejadas e outras desejadas.

Boa noite, forte abraço!

Doação de órgãos: oferta versus demanda. Como equilibrar esta equação?

Um dos maiores avanços da medicina no século passado foi o transplante de órgãos, que especificamente no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, tem atualmente um expressivo índice maior que 80% de sucesso.

De modo geral, temos no mundo uma demanda que vai bem além da oferta de órgãos para doação, ou seja, por um lado temos filas e mais filas de pacientes aguardando sua vez por um transplante e por outro faltam órgãos disponíveis para suprir esta demanda. De qualquer modo, já é algum “lucro” para a humanidade visto que até algumas décadas atrás isso nem mesmo era possível. Mas com os avanços, a ideia é melhorar o equilíbrio desta equação e a pergunta é: como fazer isso?

Em alguns países, o cidadão já nasce constitucionalmente como doador e poderá mudar esse status desde que manifeste conscientemente a sua vontade perante o Estado. Caso essa regra se tornasse constitucional para maioria dos países, é certo que, por indução, teríamos um aumento considerável da oferta de órgãos.

Em outros casos, existe a polêmica doação compulsória de órgãos de prisioneiros condenados à morte como uma medida para incrementar a oferta de órgãos e tecidos a serem doados.

E há ainda quem defenda a comercialização de órgãos, como o economista Gary Becker [Prêmio Nobel] que em estudo aponta que essa seria a solução definitiva para o problema. Como prova desse argumento, o Irã [país onde a venda de órgãos é permitida] é líder mundial em “doações” de rim. Mas vale deixar registrado também que 79% dos iranianos que venderam um de seus rins lamentam e se arrependem da decisão. Particularmente, por vários motivos, vejo essa como a pior opção, até mesmo como a criação de outros grandes problemas.

Bom, independente de qual seja a alternativa mais adequada dentre as citadas acima ou se a utilização de todas elas juntas, enfim, podemos observar que são alternativas estritamente reparadoras da saúde pública de modo geral, ou seja, corretivas. Fazendo uma pequena alusão à engenharia de manutenção de máquinas e equipamentos nas indústrias, sabe-se que esta é a pior alternativa, sobretudo, para maquinário com grande valor agregado. Acredito que o raciocínio se aplica à saúde humana também.

Nesse caso, estamos abrindo mão do que é mais importante: deixando de atacar as causas para atacar os efeitos. O que me leva a pensar que nada disso é de graça.. é claro que tem gente lucrando muito com isso. O que vocês acham? Façamos uma reflexão… primeiro as indústrias de cigarro, bebidas alcóolicas, os “fast-foods” com sua grande contribuição de gordura e colesterol à dieta dos seus consumidores, enfim, toda a indústria do “não-saudável”. Depois a indústria farmacêutica por motivos óbvios e, para não se estender muito, o governo pelos impostos que arrecada dessas indústrias. Só para se ter uma pequena noção.. em 2008 o Brasil desembolsou R$ 109 bi [nas três esferas do governo] com toda a saúde do país. Por outro lado, só a Souza Cruz [indústria brasileira de tabaco] alega um pagamento de R$ 5,5 bi /ano de impostos aos cofres públicos do país. Consideremos então o quanto de impostos o governo arrecada de toda a indústria do “não-saudável”. Claro que não dá para fazer uma conta de padaria aqui e determinar se há um lucro real [em termos financeiros e econômicos] para estas partes. Mas dá para enxergar quem fica com o prejuízo: a própria população que perde a saúde. A qualidade da alimentação tem sido apontada como um grande problema nas últimas décadas, ocasionando um incremento exponencial à fila de espera por um coração “novo”. Assim como o cigarro e os exageros com as bebidas alcóolicas tem aumentado as filas de espera tanto por corações quanto por pulmões e fígados “novos”.

Enfim, se cada um cuidar melhor da sua própria saúde [abrir mão do corretivo para aderir ao preventivo], teremos um decréscimo considerável da demanda de órgãos e assim essa demanda poderá ser atendida pela oferta ocorrente, de modo que a fila [caso exista] será na maior parte dos casos, proveniente de distúrbios fisiológicos ou de ordem natual.

PS1: Não sou um fissurado por hábitos saudáveis nem costumo ser radical [quando se trata de cigarro sou radical], mas concordo com o ditado “a diferença entre o remédio e o veneno é o tamanho da dose”. No fundo sabemos o que é saudável e o que não é saudável à nossa saúde.. inclusive as quantidades. Basta ter um pouco de consciência e fica tudo bem =]

PS2: Não sou da área de saúde! Escrevi esse texto apenas como um curioso.. algo para se refletir.

Abraços!!

Educação em Engenharia de Produção

O ENSINO DA ENGENHARIA DE PRODUÇÃO NO BRASIL FRENTE A UM MERCADO VOLTADO PARA ATITUDES EMPREENDEDORAS, PENSAMENTO INOVADOR E SUSTENTABILIDADE

Por Paulo Gustavo Coutinho de Araújo

É conhecido o vínculo direto existente entre o desenvolvimento tecnológico e econômico de uma nação e a formação de profissionais na área das engenharias visto que através destes são promovidas ações de inovação tecnológica, fundamentais para obtenção de resultados positivos no desenvolvimento de qualquer economia. Além disso, nas últimas décadas, os mercados mundiais de todos os segmentos têm apontado cada dia mais para a necessidade de se pensar e agir de maneira sustentável.

Por outro lado, o Brasil compõe atualmente o quadro das principais economias emergentes do mundo, junto à China, Índia e à Rússia, formando o bloco conhecido por BRIC, que é uma sigla formada pelas iniciais dos quatro países citados. Juntos, estes países são responsáveis por cerca de 40% da população e 49% da economia mundial [estimativa para 2010 segundo Horst Bergmann]. O BRIC é responsável ainda pela formação de 700 mil engenheiros por ano, considerando todas as ênfases dos cursos de engenharia.

Paralelamente, os avanços tecnológicos têm permitido adequadamente a integração de sistemas ante a superespecialização, o que se traduz em maior exigência, por parte do mercado, de profissionais com ampla habilitação nas técnicas e nos princípios da Engenharia de Produção, segundo Furlanetto et al., [2006], em busca de aperfeiçoar o desempenho da alocação dos recursos disponíveis – materiais, recursos humanos, energia e capital – possibilitando maior agregação de valor na totalidade dos processos. Considerando o cenário atual, parte-se do pressuposto de que a cada dia exige-se maior atenção às demandas do mercado quanto a questões ligadas ao desenvolvimento de maneira sustentável e a prática de ações empreendedoras que promovam constantemente a inovação como uma filosofia dentro das organizações.

Nesse contexto, resolvemos procurar entender como os cursos de Engenharia de Produção do Brasil estão lidando com a atualização de seus conteúdos programáticos de maneira a capacitar os novos profissionais da Engenharia de Produção para atender as novas necessidades que o mercado demanda.

A Engenharia de Produção

Com o advento da Revolução Industrial [Século XVIII], surgiram poderosas máquinas industriais movidas a vapor, o que possibilitou que os produtos fossem produzidos em grande quantidade. No entanto, a partir de então, foi preciso organizar essa produção para evitar a instalação do caos nas indústrias. Foi quando entraram em cena os pioneiros Frank Gilbreth e Winslow Taylor que desenvolveram estudos sobre aumento da produtividade e redução dos tempos e movimentos de operários na fabricação de peças: estava dado então o ponta pé inicial da então chamada Engenharia Industrial, conhecida atualmente no Brasil como Engenharia de Produção.

Diferentemente de outras engenharias, as funções do engenheiro de produção não são de fácil percepção aos menos afeitos ao tema. Tem-se então a definição mais utilizada de Engenharia de Produção, segundo a American Industrial Engineering Association [definição traduzida por FLEURY, 2008]:

A Engenharia de Produção trata do projeto, aperfeiçoamento e implantação de sistemas integrados de pessoas, materiais, informações, equipamentos e energia, para a produção de bens e serviços, de maneira econômica, respeitando os preceitos éticos e culturais. Tem como base os conhecimentos específicos e as habilidades associadas às ciências físicas, matemáticas e sociais, bem como aos princípios e métodos de análise da engenharia de projeto para especificar, predizer e avaliar os resultados obtidos por tais sistemas. [FLEURY, In: BATALHA, 2008].

Assim, o engenheiro de produção possui a característica principal de atuar na produção propriamente dita, ou seja, enquanto as outras engenharias atuam na fase de invenção de novos produtos, processos e acima de tudo, de novas tecnologias que serão colocadas em prática na produção, o profissional engenheiro de produção atua muito mais em reduzir custos e melhorar a qualidade dos produtos, cuidar da distribuição e da gestão dos processos produtivos em geral.

No Brasil, a Engenharia de Produção é dividida nas seguintes subáreas:

Engenharia de Operações e Processos de Produção; Logística; Pesquisa Operacional; Engenharia da Qualidade; Engenharia do Produto; Engenharia Organizacional; Engenharia Econômica; Engenharia do Trabalho; Engenharia da Sustentabilidade e por fim a subárea de Educação em Engenharia de Produção.

A Era do Desenvolvimento Sustentável

A partir da década de 1970 surgiu efetivamente a busca pela proteção de grandes componentes da natureza, onde indivíduos de todo o globo voltaram a atenção para a água, o ar e as florestas. Algumas eventualidades significantes ocorreram a partir de então tais como o Acordo de Copenhague [1971]; a Convenção de Bruxelas [1971]; a Convenção de Ramsar [1971]; a publicação da Carta Mundial da Natureza [1982]; o Tratado de Windhoek [1992]; o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio – NAFTA [1992]; a constituição da Organização Mundial de Comércio – OMC [1994]; a ECO 92 ou RIO 92 [1992].

Percebe-se que as décadas de 1970 a 1990 configuram o despertar das nações para a preocupação com o meio ambiente, porém, há de se considerar o fato de que a problemática com os recursos naturais nestes períodos foi caracterizada pela participação quase exclusiva de países ricos. A participação de países em desenvolvimento e até mesmo de países subdesenvolvidos se deu já no início do Século XXI, quando já não se pode ignorar o fato de que as nações dependem da conservação do meio ambiente para poderem se desenvolver e estar aptas à sobrevivência das gerações futuras [TAKEDA, 2009].

Por outro lado, no caso específico do Brasil, quando no início da década de 1990 houve a abertura do mercado para a importação de produtos que também eram produzidos por empresas nacionais. Estas passaram por grandes dificuldades para permanecerem competitivas no mercado. Antes desse acontecimento, as empresas brasileiras se sentiam protegidas pela política pública do governo federal que tornava praticamente impossível a entrada de produtos importados no país. A partir de então, as empresas de origem nacional perderam automaticamente o paternalismo por parte do governo neste aspecto e passaram a competir diretamente com empresas de todo o mundo. Frente a essas dificuldades, as organizações de origem nacional precisaram recorrer a outras formas de atuação, havendo a necessidade de investir urgentemente em várias medidas que as mantivessem competitivas. Estas medidas incluem investimentos em tecnologias e mão-de-obra importadas assim como em pesquisa e desenvolvimento, buscando promover a inovação.

Sobre o desenvolvimento Goulet [1996] diz que este só tem autenticidade quando é possível torná-lo sustentável e essa sustentabilidade precisa ser garantida em três domínios, a saber:

· O Econômico – cuja viabilidade depende do uso de recursos que não se esgote irreversivelmente e de um padrão de manejo do lixo resultante da produção que não destrua a vida;

· O Político – baseada na conscientização de todos os membros da sociedade acerca da necessidade da viabilização de um sistema político pautado na busca do bem comum e não interesses particulares;

· O Social e Cultural – centrados na proteção aos fundamentos da vida comunitária. Nesta perspectiva, o debate sobre o desenvolvimento sustentável se acentua, pois o planeta não é uma fonte inesgotável de recursos e os impactos já estão visíveis no grande acúmulo de lixo, poluição dos rios e oceanos, aquecimento global, e extinção de algumas espécies de fauna e flora.

Considerações sobre os Procedimentos Metodológicos

Esta pesquisa foi desenvolvida no ano de 2010 baseada em informações oficiais, segundo um amostra, das instituições que oferecem [iam] os então 348 cursos de Engenharia de Produção no Brasil. A amostra foi composta de 86 cursos, ou seja, aproximadamente 25% dos cursos brasileiros de EP.

Maiores informações sobre os Procedimentos Metodológicos, baixar trabalho na íntegra clicando aqui.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Evolução dos cursos de EP no Brasil

Os itens a seguir apresentam os números e análises sobre os cursos que foram pesquisados na amostra, no tocante às quatro áreas a saber: Ética e Responsabilidade Social; Gestão Ambiental; Empreendedorismo e Gestão da Inovação.

Ética e Responsabilidade Social

No que diz respeito aos componentes curriculares relacionados à Ética e Responsabilidade Social, foi possível observar que dentro da amostra completa, este conteúdo é ausente em 23 cursos. Outros 26 cursos apresentam até 40 horas dedicadas ao tema, enquanto nove apresentam de 41 a 60 horas e mais 28 apresentam mais de 60 horas. As porcentagens referentes a esses números podem ser vistas detalhadamente na figura a seguir:

Distribuição das cargas horárias referentes ao tema Ética e Responsabilidade Social

Ética e Responsabilidade Social é um tema que tem crescido bastante em termos de importância na formação dos profissionais de Engenharia de Produção. Se feita comparação, é possível observar que a situação melhorou consideravelmente em relação aos resultados da pesquisa feita em 2005 por Furlanetto et al. (2006), onde na oportunidade em que foram identificados 18 cursos dos 48 pesquisados que apresentavam disciplinas voltadas ao tema, ou seja, 37,5% dos cursos. Já em 2009, este resultado subiu para aproximadamente 74% dos cursos. Um crescimento bem razoável que coloca os cursos de graduação em Engenharia de Produção do Brasil em uma situação bem melhor que cinco anos atrás, no entanto, faz-se necessário a implementação de ações que melhorem este índice no intuito de atingir a totalidade dos cursos.

Gestão Ambiental

Quanto ao componente curricular gestão ambiental observou-se que apenas três (3,48 %) cursos não apresentam componentes curriculares que contemplam o tema, ou seja, a maior parte dos cursos oferecem conteúdos voltados ao tema ambiental. Destes, 21 possuem até 40 horas, 14 possuem de 41 a 60 horas e a maior parte, isto é, 48 cursos possuem acima de 60 horas dedicadas ao ensino do tema. As porcentagens referentes a esses números podem ser vistas detalhadamente na figura a seguir:

Distribuição das cargas horárias referentes ao tema Gestão Ambiental

Analisando a questão relacionada com a área Gestão Ambiental, percebe-se que esta teve bastante atenção nos últimos cinco anos. Em 2005, de 48 cursos pesquisados, apenas 17 apresentavam conteúdo voltado para o tema, ou seja, pouco mais de 35% [FURLANETTO et al., 2006]. Já em 2009, este resultado passou para 96,5% desses cursos, isto é, 83 de 86 cursos pesquisados apresentam conteúdo de Gestão Ambiental.

Esta realidade parece ter relação direta com a exigência das atuais diretrizes curriculares do MEC. Assim, percebe-se que os de Engenharia de Produção do Brasil estão bem providos de conteúdo voltado ao tema.

Empreendedorismo

Dos cursos pesquisados foi possível identificar que 46 (53,49 %) deles possuem componentes referentes ao tema empreendedorismo em suas estruturas curriculares. Destes, 16 possuem até 40 horas, outros 15 possuem de 41 a 60 horas e 15 possuem acima de 60 horas dedicadas ao ensino do tema. No entanto, o restante, isto é, 40 cursos não apresentam nenhuma disciplina referente à área de empreendedorismo. A representação gráfica dessas porcentagens é apresentada na figura a seguir:

Distribuição das cargas horárias referentes ao tema Empreendedorismo

Considerando que a área das engenharias é responsável por grande parte do desenvolvimento de novas tecnologias, a visão empreendedora é fundamental neste sentido. Além disso, no futuro próximo, após sair da universidade, os egressos vão invariavelmente ter de enfrentar o mercado e em muitas situações serão cobradas atitudes empreendedoras de sua parte.

Segundo Furlanetto et al. [2006], disciplinas voltadas à área de empreendedorismo eram presentes em apenas 33,33% dos cursos até o ano de 2005. Desse tempo em diante, muitos novos cursos foram criados e a situação melhorou consideravelmente. No entanto, embora o conteúdo empreendedorismo esteja presente em pouco mais da metade dos cursos pesquisados, este resultado precisa continuar melhorando visto que ainda se encontra distante de atender a realidade do mercado atual.

Gestão da Inovação

Em relação à gestão da inovação foi possível identificar que apenas 21 [24,42 % dos pesquisados] cursos apresentam componentes curriculares voltados ao tema, ou seja, pouco mais de 24%. Destes, sete possuem até 40 horas, outros 13 possuem de 41 a 60 horas e um possui acima de 60 horas dedicadas ao ensino do tema. Porém 65 cursos não apresentam nenhuma disciplina referente à área de inovação. As porcentagens referentes a esses números podem ser vistas detalhadamente na figura a seguir:

Distribuição das cargas horárias referentes ao tema Inovação

Dos quatro temas pesquisados, este é o que apresenta situação mais grave. De acordo com Furlanetto et al. [2006], apenas oito de 48 cursos pesquisados no ano de 2005 apresentavam conteúdo dedicado ao tema, ou seja, 16,6%. Em 2009, esta relação subiu para aproximadamente 25%, no entanto, continua muito baixa, principalmente considerando a relevância do tema para as empresas. Portanto, muito embora o ambiente esteja a exigir bastante das empresas e, conseqüentemente, dos próprios profissionais da Engenharia de Produção, as mudanças nos processos e produtos acontecem constantemente, e dessa forma pode-se afirmar que as estruturas curriculares estão suficientemente distantes da realidade do mercado, sendo motivo de preocupação, principalmente no momento atual em que o Governo lançou a não muito tempo a Lei da Inovação e a Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior [PITCE].

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo do desenvolvimento deste trabalho de pesquisa, verificou-se que a situação dos cursos de graduação em Engenharia de Produção oferecidos no Brasil, quanto às questões relacionadas com as áreas objeto de análise, melhorou consideravelmente entre os anos de 2005 e 2009, havendo, entretanto, a necessidade da implementação de inúmeras outras melhorias.

a] Quanto às Áreas Gestão Ambiental, Ética e Responsabilidade Social

É possível observar que estas áreas vem sendo mais bem exploradas em termos relativos e absolutos, de forma que os egressos da graduação em Engenharia de Produção das instituições brasileiras de ensino superior contam, em sua formação, com informações relevantes sobre o desenvolvimento sustentável como parte da base fundamental, o que, se depender desses profissionais, possibilitará o país se desenvolver economicamente de maneira sustentável, gerenciando os processos com consciência ambiental e social, buscando sempre reduzir os níveis de poluição no meio ambiente, inevitavelmente causado pelos processos industriais assim como tendo maior preocupação com o lado social, oferecendo contribuições à sociedade como contrapartida de seu desenvolvimento;

b] Quanto às Áreas Empreendedorismo e Gestão da Inovação

Sabe-se que a inovação é como uma é fundamental para o desenvolvimento de qualquer empreendimento visto que ela agrega valor e promove a alavancagem econômica em curto prazo, podendo ser considerada o caminho mais curto para o crescimento, inclusive de micro e pequenas empresas.

Nesse sentido, as questões relacionadas com a inovação e o empreendedorismo nos cursos brasileiros de Engenharia de Produção são tratadas de forma bastante tímida. Um pouco mais da metade desses cursos, dedicam conteúdos voltados ao tema empreendedorismo e, apenas uma pequena minoria, trata da gestão da inovação.

Olhando para o futuro, pelo menos em curto prazo, é possível imaginar o Brasil como um país que continuará sem conseguir identificar o verdadeiro valor da inovação, abrindo mão da pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos inovadores, provocando a necessidade de importar tecnologias e mão-de-obra especializada para o desenvolvimento de muitas atividades e, infelizmente, abrindo mão do potencial da inovação sob o aspecto econômico.

Recomendações

Faz-se necessário que coordenações e colegiados de cursos dêem maior atenção a estes temas nas reformulações de seus Projetos Pedagógicos de Curso [PPCs], de maneira a alcançar um índice maior em suas estruturas curriculares, oferecendo aos egressos da área, melhores condições para enfrentar o mercado que, invariavelmente vai exigir atitudes inovadoras e, acima de tudo, empreendedoras dos mesmos.

Além desses temas fundamentais, recomenda-se a implementação de conteúdos que envolvam os temas: Lógica e Língua Inglesa, visto que nos processos de recrutamento de grandes empresas, são feitos testes que os envolvem e são classificatórios e eliminatórios.

Sugestões para Trabalhos Futuros

Sugere-se que sejam feitos estudos semelhantes envolvendo os cursos de graduação em engenharia de produção oferecidos por países que compõem o chamado Bloco Econômico “BRIC”. No caso, Rússia, Índia e China, verificando-se como os mesmos estão se comportando com relação aos quatro temas tratados neste trabalho de pesquisa: Gestão Ambiental, Ética e Responsabilidade Social, além de Empreendedorismo e Gestão da Inovação, culminando com a obtenção de informações que permitam a elaboração de um quadro comparativo entre estes países.

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A beleza contida na ingenuidade – Brasil

Poucas coisas são tão belas quanto a ingenuidade das crianças. No entanto, para sobreviver e evoluir nessa vida é necessário abrir mão dessa característica, ou seja, é necessário se “desingenuizar” [acabei de inventar]. Não se trata de algo fácil.. é na verdade um processo bastante complexo e que pode ou não acontecer. Se olharmos um pouco em volta, conhecemos uma porção de pessoas com uma idade razoável e que ainda não abandonaram quase nada da ingenuidade [estou falando de ingenuidade mesmo e não de imbecilidade].

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No dicionário ingenuidade significa não ter malícia ou ser inocente. Talvez, dentro da minha linha de raciocínio apresentada aqui, eu esteja ferindo um pouco essa definição e por isso peço licença para continuar mesmo assim.

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Basta dar uma olhada para o cenário político brasileiro, por exemplo, e é possível fazer uma leitura de quão ingênuos ainda somos [população brasileira]. Parece ser mesmo uma questão cultural… o que por si só já explicaria o nível de complexidade da coisa.

Não é ingênuo quem pratica corrupção? quem rouba? quem “tira vantagem” em cima da propriedade ou do direito alheio? quem elege políticos corruptos [muitas vezes se corrompendo também]? quem faz tudo isso sem o menor desconforto na consciência e ao mesmo tempo reclama das mazelas que acometem o nosso povo? Ouso classificar tais práticas como atos de ingenuidade diante do fato da não consciência sobre as consequências que esses atos promovem. Diante do fato de que exatamente essas atitudes [entre outras do gênero] alimentam as injustiças e as demais dificuldades pelas quais passamos no Brasil. Diante do fato de que a maioria dos brasileiros não percebe que o problema é deles também quando na verdade o problema pertence a cada um de nós.

Somos definitivamente um dos países mais ricos do mundo vivendo à fundamentação da ineficiência de uma máquina pública que talvez seja a mais cara do universo. Todo o contexto econômico dos últimos anos tem nos projetado mundialmente e nossa riqueza tem sido anunciada a todos os planetas. Mas algo essencial está sendo deixado de fora desses anúncios: a fome e a miséria que assola cerca de 17 milhões de brasileiros [número equivalente à população do Chile]; a desigualdade social; o assombroso futuro da educação [ver vídeo]; a situação da saúde pública; as favelas e seus traficantes; a polícia corrompida [salve exceções]; a deficiência da infraestrutura do país;

Por outro lado, as negociações desvantajosas que tem sido feitas pelos Estados e bancos de desenvolvimento [brasileiros como o BNDES] para atração de indústrias. Não é ingenuidade quando as pessoas comemoram a homologação de uma nova indústria que será instalada em seu estado e promete gerar alguns milhares de empregos, quando na verdade, esta indústria está tendo uma vantagem sem precedentes? [Veja quem sai ganhando nesse negócio. Dica.. não somos nós! A grana gorda vai lá pra fora, o que me faz questionar.. ainda somos uma colônia?]

Sabemos que, em geral, o povo brasileiro é um povo de sorriso fácil e memória curta. Somos conhecidos por nosso calor humano, nosso futebol, nossas belas mulheres, nosso carnaval, nossa paixão por carros e nossas riquezas naturais. Mas pensa comigo.. não seria melhor se fôssemos conhecidos também por promovermos a inovação, por criar produtos/serviços de qualidade diferenciada, ter realmente valor agregado em nossas marcas genuinamente brasileiras, explorar nossos recursos com inteligência e eficiência sustentável. Saibamos então valorizar e defender o que é nosso.. deixemos a ingenuidade para os bebês e passemos a assumir ativamente o nosso papel dentro do todo, como parte da solução e não do problema. Desempenhemos nosso papel de cidadãos, encaremos o voto como uma ferramenta para a melhoria do país; valorizemos o potencial de mudança possibilitado pela educação; sejamos éticos em todas as ocasiões; respeitemos os nossos princípios e valores e sejamos exemplos para os mais novos.

Eu já estou fazendo a minha parte e não vou parar nunca de fazê-la. Vamos juntos?

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País tropical abençoado por Deus

Bom, de todo modo.. realmente existe uma beleza contida em toda ingenuidade. A beleza do Brasil é inexplicável e com certeza não é só à natureza que me refiro agora… é algo intrínseco a esse país, algo como a sua alma. Me sinto abençoado por ser filho dessa terra!

Um forte abraço a todos os brasileiros!